A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Entre os alvos estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Congresso Nacional, e Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno.
De acordo com a PF, esta nova etapa concentra esforços na apuração da possível participação de um agente público no esquema investigado. A operação representa mais um desdobramento de uma investigação que, desde o final de 2025, vem ampliando seu alcance e atingindo diferentes personagens ligados ao universo político e financeiro.
A ofensiva ocorre após uma série de fases que revelaram novos elementos sobre o funcionamento da estrutura investigada e suas conexões com autoridades públicas, empresários e operadores financeiros.
Investigação começou com suspeita de fraude bilionária
Lançada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero teve origem na suspeita de que o Banco Master teria estruturado carteiras de crédito sem lastro e promovido a emissão de títulos considerados fraudulentos. Segundo os investigadores, essas operações teriam servido de base para um esquema financeiro de grandes proporções.
Com o avanço das diligências, a Polícia Federal passou a examinar não apenas a suposta fraude bancária, mas também possíveis mecanismos utilizados para garantir a manutenção e a expansão do esquema.
A investigação ganhou novas frentes à medida que documentos, movimentações financeiras e depoimentos passaram a indicar a existência de relações que extrapolariam o ambiente corporativo.
Apuração alcança figuras políticas
Ao longo das diferentes fases da operação, nomes ligados ao cenário político nacional passaram a aparecer no radar dos investigadores.
Entre eles está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em apurações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central do caso e que atualmente se encontra preso.
A mais recente etapa antes da operação desta quinta-feira teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Na ocasião, os investigadores apuravam aportes realizados pelo Rioprevidência em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.
Segundo a investigação, os investimentos somaram cerca de R$ 3 bilhões e passaram a ser examinados diante de suspeitas relacionadas às circunstâncias em que as aplicações foram realizadas.
O caso envolvendo o fundo previdenciário fluminense ampliou a repercussão política da operação e abriu uma nova linha de investigação sobre a destinação de recursos públicos.
Suspeita de corrupção amplia escopo da operação
Além das suspeitas de fraude financeira, a Polícia Federal passou a investigar a existência de uma suposta rede de corrupção destinada ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Os investigadores também apuram a possível atuação de uma estrutura paralela voltada à coleta de informações e ao monitoramento de pessoas consideradas estratégicas para os interesses do grupo investigado.
Segundo a PF, essa estrutura teria sido apelidada de “A Turma” e estaria relacionada a ações de intimidação e espionagem que teriam ocorrido paralelamente às operações financeiras sob investigação.
O aprofundamento dessas apurações levou os investigadores a ampliar o escopo da Compliance Zero, transformando a operação em uma das mais abrangentes investigações recentes envolvendo o sistema financeiro e suas conexões com agentes públicos.






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