O julgamento do caso Henry Borel, que começa nesta segunda-feira (23), no II Tribunal do Júri, no Rio de Janeiro, sob comando da juíza Elizabeth Machado Louro, deve se estender entre cinco e dez dias, reunindo depoimentos, laudos periciais e debates intensos entre acusação e defesa. O menino, de 4 anos, morreu em março de 2021 após dar entrada em um hospital na Barra da Tijuca, com sinais de agressão.
Os réus são o ex-vereador Dr. Jairinho, padrasto da criança, e a mãe, Monique Medeiros. Ambos respondem por tortura e homicídio qualificado, mas negam as acusações. O caso, que teve grande repercussão nacional, será decidido por júri popular.
A expectativa é de um julgamento marcado por disputa de versões, com estratégias distintas apresentadas pelas defesas e pela promotoria, que afirma não ter dúvidas sobre a responsabilidade dos acusados.
Promotoria sustenta agressões e descarta hipótese de acidente
De acordo com o Ministério Público, Henry foi vítima de uma sequência de agressões, culminando em sua morte por hemorragia interna e laceração do fígado, causada por ação contundente. Laudos do Instituto Médico Legal também apontaram 23 lesões no corpo da criança, incluindo ferimentos na cabeça, rins e pulmão.
Os promotores afirmam que não há possibilidade de acidente doméstico. A acusação sustenta ainda que o menino já vinha sendo submetido a uma rotina de violência antes do dia da morte.
Durante o julgamento, a promotoria deve apresentar laudos técnicos, depoimentos de testemunhas e outros elementos reunidos ao longo das investigações para reforçar a tese de homicídio e tortura.
Defesas apostam em versões divergentes e contestam provas
A defesa de Dr. Jairinho pretende questionar a condução das investigações e levantar a hipótese de que Henry possa ter sofrido um acidente antes de estar sob os cuidados do ex-vereador. Os advogados também alegam falhas na perícia e apontam que o laudo do IML teve múltiplas versões, sugerindo possível interferência externa.
Já a defesa de Monique Medeiros sustenta que ela não tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho e deve atribuir exclusivamente a Jairinho a responsabilidade pela morte da criança.
As estratégias indicam um cenário de confronto direto entre as versões dos réus, o que pode tornar o julgamento ainda mais complexo diante dos jurados.
Relembre o caso Henry Borel
No dia 7 de março de 2021, Henry foi buscado pela mãe após passar o fim de semana com o pai, Leniel Borel. Imagens de câmeras de segurança mostram a criança entrando no condomínio onde Monique morava, na Barra da Tijuca, e depois no elevador com Jairinho.
Horas depois, durante a madrugada, o menino aparece novamente nas imagens, já imóvel, sendo carregado pela mãe. Ele foi levado ao hospital, mas chegou sem vida, segundo os médicos.
Inicialmente, Monique e Jairinho afirmaram que o menino havia caído da cama, versão posteriormente descartada pelas investigações policiais.
Júri terá 27 testemunhas e penas podem passar de 50 anos
Ao todo, 27 testemunhas devem ser ouvidas durante o julgamento, que contará com sete jurados, além de representantes da acusação e das defesas. O processo inclui análise de provas técnicas e interrogatórios dos réus.
Se condenados, Jairinho e Monique podem cumprir penas superiores a 50 anos de prisão. Ambos estão presos desde 2021.
A defesa do ex-vereador também solicitou a transferência do julgamento para fora do Rio de Janeiro, alegando possível influência da opinião pública sobre os jurados. O pedido ainda será analisado pela Justiça.







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