A 1ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado (MPRJ) e tornou réus cinco integrantes do Comando Vermelho (CV) pelo assassinato de Ronaldo Henrique Souza Peixoto, de 14 anos. Entre os réus está Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como uma das principais lideranças da facção no estado e atualmente foragido da Justiça.
Além dele, respondem pelo crime Victor Tavares Vieira, Diogo Paixão Barbosa, Miguel Ferreira Salvo e Jonata da Silva Ramos, identificados e presos pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) em junho deste ano. O grupo responderá por homicídio qualificado, associação para o tráfico, tortura, sequestro e corrupção de menores.

O crime ocorreu em março deste ano na Comunidade César Maia, em Vargem Pequena, na Zona Sudoeste do Rio. Segundo a denúncia, a vítima e dois amigos foram ao local para encontrar a namorada de um deles, quando bandidos os questionaram sobre onde moravam. Quando esperavam em um ponto de ônibus, já fora da comunidade, bandidos armados os abordaram e obrigaram a retornar para a favela e entregar os celulares.
Gesto provocou morte
Durante a checagem nos telefones, os criminosos encontraram uma foto em que Ronaldo aparecia fazendo o gesto do número três com a mão. Como o jovem morava em Senador Camará, na Zona Oeste — área controlada pela facção rival Terceiro Comando Puro (TCP) —, o sinal foi interpretado pelos criminosos como uma alusão ao grupo inimigo. O adolescente sofreu tortura física e psicológica, enquanto seus dois amigos foram liberados.
A DHC apurou que a ordem direta para a execução do adolescente partiu do traficante Doca. Os agentes encontraram o corpo de Ronaldo esquartejado no dia 1º de abril dentro de um rio na Estrada do Gabinal, na Freguesia.
De acordo com relatos da família, o jovem não tinha qualquer envolvimento com o tráfico de drogas, praticava muay thai, acumulava medalhas em competições da modalidade e tinha o sonho de trabalhar como mecânico.
Agenda do Poder tenta contato com a defesa dos acusados.







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