A Polícia Civil fechou nesta terça-feira (15) uma fábrica clandestina de linha chilena que funcionava na Taquara, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Cinco pessoas foram presas em flagrante no imóvel, onde os agentes encontraram uma estrutura destinada à fabricação em grande quantidade do material, proibido no estado.
A operação foi realizada por agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. A fábrica funcionava na Estrada do Cafundá e estava em atividade no momento da chegada dos policiais.
Máquinas, carretéis e produtos químicos utilizados na produção foram apreendidos e encaminhados à Cidade da Polícia. Segundo a Polícia Civil, um dos cinco presos já havia sido enquadrado anteriormente pelo mesmo tipo de crime.
Os detidos podem responder por crime ambiental, cuja pena pode chegar a quatro anos de prisão.
Linha é quatro vezes mais cortante
A linha chilena é considerada ainda mais perigosa que a linha com cerol. De acordo com a polícia, o material é quatro vezes mais cortante e representa risco principalmente para motociclistas e ciclistas.
O perigo aumenta porque o fio pode ser difícil de visualizar durante o deslocamento, aumentando o risco de cortes graves.
No estado do Rio, é proibido fabricar, vender, comprar, portar, possuir ou utilizar cerol e linha chilena.
O fechamento da fábrica ocorre em meio ao crescimento das denúncias envolvendo esse tipo de material. Dados do Disque Denúncia apontam que foram registrados 561 casos em 2024. Em 2025, o número mais que dobrou e chegou a 1.203 ocorrências. Neste ano, já foram contabilizados 639 registros.
Mortes acendem alerta
O risco provocado pelas linhas de pipa ganhou ainda mais atenção após acidentes fatais registrados no Rio.
Há cerca de duas semanas, o parapente pilotado pelo coronel do Exército Álvaro Ferreira foi atingido por uma linha de pipa na Praia de São Conrado. A aeronave caiu no mar, e o militar foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu.
Em abril, o administrador de empresas Leandro Cardoso também morreu depois de ser atingido no pescoço por uma linha de pipa enquanto trafegava de motocicleta em Cascadura, na Zona Norte.
Segunda fábrica fechada em quatro meses
A unidade descoberta na Taquara é a segunda fábrica clandestina de linha chilena fechada pela Polícia Civil em Jacarepaguá em um intervalo de quatro meses.
Em maio, outra estrutura dedicada à fabricação do material foi desativada na região. Segundo a investigação policial, aquela unidade produzia linha chilena que chegava a abastecer outros estados.






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