Lula critica negócios dos irmãos Bolsonaro com Vorcaro: ‘É uma quadrilha, não uma família’; vídeo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou nesta quarta-feira (16) o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Durante entrevista ao vivo ao canal Desce a Letra Show, no YouTube, o petista cobrou explicações sobre recursos destinados à produção de…

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou nesta quarta-feira (16) o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Durante entrevista ao vivo ao canal Desce a Letra Show, no YouTube, o petista cobrou explicações sobre recursos destinados à produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula afirmou que Flávio teria obtido R$ 130 milhões de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, para financiar o projeto. O valor citado pelo presidente se aproxima dos R$ 134 milhões que, segundo as investigações, foram solicitados a Vorcaro. Flávio confirmou anteriormente que buscou o empresário para obter patrocínio privado para a produção, mas negou irregularidades.

“Eu que fui preso por essa Suprema Corte e fiquei preso 580 dias… O que eles têm que explicar é cadê os R$ 130 milhões que ele [Flávio Bolsonaro] pegou do Vorcaro para o filme do seu pai (Dark Horse), aquele filme mequetrefe. Eu quero saber. O Flávio pegou dinheiro, R$ 130 milhões. Não foi R$ 13. Não foi R$ 130 mil. Não foi R$ 1,3 milhão. Foram R$ 130 milhões. Para fazer um filme. E não explica onde está esse dinheiro”, declarou o presidente.

As investigações, no entanto, ainda apuram quanto efetivamente foi transferido e qual foi a destinação dos recursos. Relatórios citados pela imprensa apontam que ao menos US$ 12,3 milhões foram enviados em 2025 para um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento do projeto.

Lula associa recursos à permanência de Eduardo nos EUA

Na entrevista, Lula também vinculou parte da movimentação financeira investigada à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A Polícia Federal apura se recursos relacionados ao projeto cinematográfico foram usados para despesas pessoais do irmão de Flávio no exterior.

“Era um fundo que saía de não sei da onde para ir para os Estados Unidos, para sustentar o irmão dele que está lá tramando golpe contra o Brasil. E se ele voltar ao Brasil vai ser preso, porque traidor da pátria tem que ser preso. Ele está vendendo o Brasil aos interesses americanos. Isso é da nossa responsabilidade, nós temos que falar o que eles são. É quase uma quadrilha, não uma família. E cabe ao PT colocar isso na ponta da língua para todo mundo dizer. O povo brasileiro não pode — em benefício do próprio povo brasileiro — escolher alguém desqualificado para presidir esse país”, afirmou.

Moraes e Banco Master entram no confronto eleitoral

Lula também respondeu à ofensiva de Flávio Bolsonaro contra Alexandre de Moraes. O candidato do PL vem explorando na campanha a crise no Supremo relacionada às mensagens de Daniel Vorcaro e criticando a atuação do ministro.

“Você veja como é a mentira. Nós estamos vendo aquele julgamento na Suprema Corte. Ontem o meu adversário gravou um vídeo dizendo que eu sou responsável pelo Alexandre de Moraes e isso e aquilo. A obsessão dele é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre de Moraes por causa do Banco Master. Não é por isso que ele tem raiva, porque ele sabe que ele tem o rabo preso ao Banco Master mais do qualquer outra pessoa”, apontou Lula.

“A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque o Alexandre de Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle. A bronca dele é porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro. Esse é o pavor dele. E a bronca dele é porque essa apuração que está tendo na Suprema Corte vai descobrir quem é de verdade que está metido nisso”, reforçou.

A crise envolvendo Moraes permanece sem uma definição no Supremo. A sessão extraordinária de terça-feira (15) terminou sem decisão depois de um pedido de vista de Flávio Dino.

Presidente rebate acusações sobre INSS

Outro ponto abordado por Lula foram as investigações sobre descontos irregulares em benefícios do INSS. O presidente atribuiu o início do esquema ao governo Bolsonaro e disse que sua administração avançou na identificação dos responsáveis.

“Por exemplo, eles criaram a quadrilha do INSS. Eles criaram a quadrilha no governo Bolsonaro. Nós, em dois anos, descobrimos a quadrilha, já prendemos quase todos eles, já tomamos bens de quase R$ 6 bilhões, já pagamos quase 5 milhões de aposentados, investindo R$ 3,5 bilhões para pagar o roubo que eles fizeram na Previdência Social. E eles tentam passar a ideia de que é nosso. Eles montaram a quadrilha, nós prendemos”, afirmou.

O petista também respondeu a alegações envolvendo seus familiares.

“‘Ah, o filho do Lula é sócio do Careca [do INSS]’. E quem tem um escritório junto com o Careca é ele, o Flávio. Então nós temos que desmontar essa coisa”, criticou.

Lula defende investigação e julgamento de envolvidos

Ao falar sobre a composição do STF, Lula lembrou que não era presidente quando Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça foram indicados à Corte. No caso de Moraes, porém, Lula errou ao afirmar que Flávio era senador quando o ministro foi aprovado, em 2017. Na época, Flávio era deputado estadual no Rio e, portanto, não participou da votação no Senado.

“Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte. Ele [Flávio Bolsonaro] era senador. Ele deve ter votado no Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kassio [Nunes Marques]. Ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça. Portanto, ele é o culpado, não eu. E eu quero dizer em alto e bom som: todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. O que eu defendo é um julgamento justo, com direito de defesa. Mas se a pessoa cometeu um delito a pessoa tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de Moraes, vale para o Fachin… Essa é minha tese”, ressaltou.

Lula encerrou a abordagem sobre o Supremo elogiando a atuação de Moraes à frente do Tribunal Superior Eleitoral durante as eleições de 2022 e defendendo a confiabilidade das urnas eletrônicas.

“Acho que o Alexandre de Moraes prestou dois grandes serviços à democracia brasileira. Ele foi presidente do TSE na eleição em que eu ganhei. Ele sabe e o Brasil sabe a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade das urnas brasileiras, que é o processo eleitoral mais moderno e mais rápido. Um país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, com 160 milhões de eleitores, e você sabe o resultado duas horas depois de acabar a eleição. Se fosse possível roubar na urna, eu não teria sido presidente. Você acha que eu ia ganhar do Serra? Do Alckmin? Jamais. A urna é uma coisa muito séria e ela não está subordinada à internet. Por isso não há manipulação”, finalizou o presidente.

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