Dívida pública bruta do Brasil sobe para 78,7% do PIB em 2025

Endividamento cresce pelo terceiro ano seguido, pressionado pelos juros, e mercado acompanha trajetória das contas públicas

A dívida bruta do Brasil encerrou 2025 em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), alta de 2,4 pontos percentuais ao longo do ano. O saldo total chegou a R$ 10 trilhões, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Banco Central. Apesar do avanço anual, houve um recuo de 0,3 ponto percentual em dezembro, o que evitou que o indicador terminasse o ano em patamar ainda mais elevado.

Este foi o terceiro ano consecutivo de aumento do endividamento bruto do país. Desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida acumulou crescimento próximo de 7 pontos percentuais. No fechamento de 2024, o indicador estava em 76,3% do PIB.

Indicador-chave para investidores

A dívida bruta engloba os passivos do governo federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais. Trata-se de um dos principais indicadores observados por investidores e analistas para avaliar a sustentabilidade das contas públicas.

A relação entre dívida e PIB é utilizada para medir a capacidade do país de honrar seus compromissos ao longo do tempo. Atualmente, a trajetória do endividamento é considerada um dos principais focos de preocupação do mercado financeiro, sobretudo diante do elevado custo do dinheiro e das incertezas em torno da política fiscal.

Segundo cálculos do Tesouro Nacional, a dívida bruta do governo geral pode atingir 95% do PIB caso haja ampliação de gastos fora do arcabouço fiscal sem medidas adicionais para reforçar a arrecadação. Mesmo em um cenário com novas receitas, o endividamento poderia alcançar um pico de 88,5% do PIB.

Estudos anteriores do próprio Tesouro já classificaram níveis acima de 80% do PIB como potencialmente insustentáveis para um país com as características do Brasil, o que amplia o grau de atenção sobre os dados atuais.

Peso dos juros no avanço da dívida

O crescimento do endividamento em 2025 foi influenciado principalmente pelos gastos com juros. De acordo com o Banco Central, cada aumento de um ponto percentual na taxa básica de juros, mantido por 12 meses, eleva a dívida bruta em R$ 55,9 bilhões, o equivalente a 0,44 ponto percentual do PIB.

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, nível que contribui significativamente para a expansão do estoque da dívida. Ao longo de 2025, as despesas com juros superaram R$ 1 trilhão, o equivalente a 7,91% do PIB.

Dívida líquida atinge recorde histórico

Além da dívida bruta, a dívida líquida do setor público, que desconta os ativos do governo, também avançou e terminou 2025 em 65,3% do PIB, com saldo de R$ 8,3 trilhões. No acumulado do ano, houve aumento de 4 pontos percentuais.

Esse foi o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2001, reforçando o quadro de deterioração dos indicadores fiscais mais amplos.

Resultado fiscal e desempenho dos entes públicos

O setor público consolidado brasileiro fechou 2025 com déficit primário de R$ 55 bilhões, o equivalente a 0,43% do PIB. O resultado ficou próximo, mas ligeiramente pior, que o registrado em 2024, quando o rombo foi de R$ 47,6 bilhões, ou 0,4% do PIB.

O cálculo inclui o desempenho do governo central, dos governos estaduais e municipais e das empresas estatais, com exceção da Petrobras e dos bancos públicos.

O déficit do ano foi puxado principalmente pelas contas do governo central, que registraram resultado negativo de R$ 58,7 bilhões. Em sentido oposto, estados e municípios apresentaram superávit de R$ 9,5 bilhões em 2025. As empresas estatais, por sua vez, fecharam o ano com déficit de R$ 5,87 bilhões, sendo R$ 5,1 bilhões referentes a companhias federais.

Meta fiscal e exceções

Apesar do déficit, o resultado do governo central indicou o cumprimento da meta fiscal definida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A meta previa saldo zero em 2025, mas com uma margem de tolerância que permitia resultado negativo de até R$ 31 bilhões.

Ficam fora do cálculo da meta fiscal algumas despesas específicas, como parte dos gastos com sentenças judiciais, ações nas áreas de saúde, educação e defesa nacional, além das devoluções de descontos indevidos do INSS.

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