A dívida pública dos Estados Unidos rompeu uma barreira inédita e ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez. Dados divulgados pelo Departamento do Tesouro americano nesta quarta-feira (19) mostram que o endividamento chegou a US$ 40,047 trilhões na terça-feira (18), aumentando a preocupação com a trajetória das contas públicas da maior economia do mundo.
Do total, US$ 32,266 trilhões correspondem a títulos do governo em poder do público. Outros US$ 7,782 trilhões são obrigações financeiras existentes entre diferentes setores do próprio governo americano.
O avanço chama atenção também pela velocidade. Em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu seu primeiro mandato como presidente, a dívida estava em US$ 19,95 trilhões. Em menos de dez anos, portanto, o volume mais que dobrou.
Além do tamanho do endividamento, investidores acompanham os efeitos da necessidade crescente de financiamento do governo sobre os juros dos títulos americanos.
Como a dívida chegou a US$ 40 trilhões
Parte expressiva do crescimento registrado desde 2017 está relacionada às medidas adotadas durante a pandemia de Covid-19. Aproximadamente um terço do aumento acumulado no período decorreu dos gastos para enfrentar a crise sanitária durante os governos de Donald Trump e Joe Biden.
O restante está associado ao desequilíbrio histórico entre receitas e despesas do governo federal, além das diferentes decisões de política fiscal adotadas ao longo dos últimos anos.
Entidades que acompanham as contas públicas americanas já projetavam que a dívida alcançaria a marca de US$ 40 trilhões.
A preocupação agora está voltada para os próximos anos. Sem aumento de receitas, redução de despesas ou uma combinação das duas medidas, a tendência é de continuidade do crescimento do endividamento.
Juros entram no radar
O tamanho da dívida já produz reflexos no mercado de títulos do Tesouro americano. Na semana passada, um leilão de US$ 25 bilhões em papéis com vencimento em 30 anos registrou o maior rendimento desde 2021.
Na terça-feira, os juros dos títulos de longo prazo atingiram o maior patamar em quase duas décadas. Uma das razões é o grande volume de papéis que precisa ser colocado no mercado para financiar as despesas do governo.
Com uma oferta elevada, investidores passam a exigir retornos maiores para comprar e manter esses títulos.
Outro indicador observado pelo mercado é o chamado “prêmio de prazo” dos títulos de dez anos. A medida, associada ao risco assumido pelo investidor ao manter recursos aplicados por um período prolongado, alcançou o maior nível em mais de uma década.
Tesouro amplia recompras
Em meio à pressão sobre o mercado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta quarta-feira uma ampliação das operações de recompra de títulos com vencimentos entre dez e 30 anos.
O volume das operações será dobrado e deverá alcançar pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A iniciativa ocorre em um momento de aumento dos rendimentos dos papéis de longo prazo.
A evolução dos juros é particularmente relevante porque taxas maiores também podem elevar o custo de financiamento da própria dívida. Quanto mais caro fica emitir novos títulos ou refinanciar obrigações que chegam ao vencimento, maior pode ser a despesa do governo com juros.
Investidores estrangeiros preocupam
Outro ponto acompanhado pelo mercado é a participação dos investidores estrangeiros. Eles possuem quase um terço dos títulos considerados mais sensíveis às oscilações de preços.
Uma eventual redução da procura internacional pelos papéis americanos pode aumentar a volatilidade do mercado.
O analista John Canavan, da Oxford Economics, avalia que uma queda da demanda externa pelos títulos pode intensificar essas oscilações.
A marca de US$ 40 trilhões, portanto, representa mais do que um recorde nominal. O avanço da dívida ocorre em um cenário no qual investidores observam simultaneamente o tamanho das necessidades de financiamento do governo, o comportamento dos juros de longo prazo e a disposição de compradores americanos e estrangeiros de continuar absorvendo novas emissões.







Deixe um comentário