A nova etapa da investigação da Polícia Federal envolvendo o ex-governador Cláudio Castro elevou a pressão política na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em torno da criação de uma CPI para investigar investimentos do estado relacionados ao Banco Master.
O tema esteve entre os debates no plenário da Casa, nesta terça-feira (26), e expôs divergências entre parlamentares da oposição e integrantes da base governista.
O deputado estadual Flávio Serafini (Psol) voltou a defender a instalação imediata da comissão e afirmou que as investigações reforçam a necessidade de esclarecimentos sobre operações envolvendo recursos do Rioprevidência e da Cedae.
“A Polícia Federal bateu, hoje, mais uma vez, na casa de Cláudio Castro, agora, em decorrência do escândalo do Banco Master”, declarou o parlamentar durante sessão na Assembleia.
Segundo Serafini, o debate sobre os investimentos começou ainda antes do avanço das investigações federais, após denúncia apresentada pelo deputado Luiz Paulo (PSD) ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O órgão determinou a paralisação de investimentos ligados ao Banco Master.
Divergência sobre valores
Durante o discurso, o parlamentar afirmou que ainda há divergências sobre o tamanho do possível impacto financeiro envolvendo os investimentos realizados pelo Estado.
Segundo ele, inicialmente o TCE apontou valores superiores a R$ 2,6 bilhões, enquanto o Rioprevidência sustentava números menores. Agora, afirmou Serafini, as investigações da Polícia Federal indicariam cifras ainda mais elevadas.
“Hoje, a Polícia Federal fala na possibilidade de serem mais de três bilhões e meio de reais”, afirmou. O deputado também disse que encaminhou documentos e decisões do TCE-RJ à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal para contribuir com as investigações em andamento.
Acusações de manobra
Nos bastidores da Assembleia, integrantes da oposição avaliam que um movimento articulado pela base governista, liderada pelo PL, indica uma tentativa de reduzir o protagonismo da oposição na investigação sobre o Banco Master.
Serafini afirmou que a base estaria adotando uma nova interpretação do regimento interno para dificultar a instalação da CPI defendida pela oposição. “Estão adotando uma prática protelatória alegando o cumprimento do regimento interno falando que há uma fila, só que o projeto de resolução tem de ser publicado”, afirmou.
Segundo ele, a interpretação utilizada pela Casa considera válida a retirada de assinaturas antes da admissibilidade da CPI, o que, na visão do parlamentar, não estaria previsto no regimento.
“Resolveram fazer uma nova interpretação das regras falando que um deputado retirou a assinatura antes da admissibilidade, só que o regimento não fala nada disso. Uma vez protocolada a CPI não se pode mais retirar uma assinatura”, declarou.
O deputado informou que acionou a Justiça após solicitar esclarecimentos à presidência da Casa e não receber resposta. Segundo ele, o pedido de liminar foi negado, mas o mérito do mandado de segurança ainda será analisado.
Nova CPI e disputa política
Durante a sessão, o presidente da Assembleia, Douglas Ruas (PL), afirmou que a tramitação das CPIs seguirá os critérios previstos no regimento interno.
O embate ficou claro que ele também informou que o deputado Anderson Moraes (PL) estava recolhendo assinaturas para uma CPI voltada à investigação de investimentos realizados pelo governo, autarquias e instituições públicas.
“O senhor buscou a via judicial, e nós no colégio de líderes explicamos qual é o critério, obedecendo sempre o Regimento”, declarou Ruas. E acrescentou: “Como ele havia lhe falado anteriormente que teria o interesse de assinar a CPI do senhor, já assinei o requerimento da CPI do deputado Anderson Moraes também”, afirmou.
Críticas à condução da CPI
Para Serafini, a iniciativa da base governista parece deslocar o foco da investigação específica sobre o Banco Master. “Me espanta que esse movimento ocorra com a Casa tendo três deputados presos e a gente vendo cada vez mais um forte elo entre o ex-governador Cláudio Castro e o Daniel Vorcaro, dono do Master. Hoje o mundo fala da Alerj de uma forma negativa”, afirmou.
O deputado também relacionou o caso aos empréstimos consignados de aposentados e pensionistas estaduais. “Nosso trabalho é investigar o tamanho do impacto desses investimentos em órgãos do estado e libertar o servidor desse cenário de juros exorbitantes”, declarou.





Deixe um comentário