Detenção de ex-dirigente do Rioprevidência impulsiona nova ofensiva por CPI

Flávio Serafini quer apurar aplicações do Estado e possível rombo ligado ao Banco Master

A prisão do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, ocorrida na terça-feira (03), repercutiu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e reacendeu discussões sobre a necessidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar investimentos do Estado ligados ao Banco Master.

O caso voltou à tribuna no primeiro dia de sessões do Legislativo em 2026, com cobranças por esclarecimentos sobre a aplicação de recursos previdenciários e de empresas estatais.

O assunto foi levantado pelo deputado Flávio Serafini (Psol), que defendeu a retomada da proposta de criação de uma CPI para investigar o Rioprevidência e a Cedae no contexto do escândalo envolvendo o Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central no fim do ano passado.

Prisão e investigação

Durante o pronunciamento, Serafini afirmou que a prisão de Deivis Marcon Antunes é um passo relevante para o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo ele, o ex-dirigente teve papel central na coordenação de investimentos superiores a R$ 1 bilhão de recursos do sistema previdenciário estadual no Banco Master, por meio de diferentes instrumentos financeiros.

O deputado ressaltou que a apuração agora precisa avançar para identificar responsabilidades mais amplas na cadeia de decisões que levaram à aplicação desses recursos.

Investimentos no Banco Master

De acordo com Serafini, os aportes envolveram tanto fundos administrados pelo próprio banco quanto letras financeiras, instrumentos que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Ele também mencionou a utilização do Banco Master como agente financeiro em outros fundos que receberam recursos do Estado do Rio.

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro do ano passado, após a constatação de uma grave crise de liquidez. As autoridades apontaram que a instituição não possuía recursos suficientes para honrar compromissos com clientes e investidores.

Situação do Rioprevidência

O deputado afirmou que os investimentos no banco ocorreram em um contexto de fragilização financeira do Rioprevidência. Segundo ele, houve retirada de receitas oriundas de royalties e participações especiais que tradicionalmente reforçavam o caixa do fundo previdenciário.

Serafini também citou preocupações sobre o impacto dessas decisões para aposentados e pensionistas do estado, defendendo a necessidade de detalhar de quais fundos saíram os recursos aplicados e quem pode ser diretamente afetado por eventuais perdas.

Cedae no escopo da CPI

Além do Rioprevidência, o parlamentar defendeu que a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, a Cedae, também seja incluída no escopo da investigação. O objetivo, segundo ele, é apurar se recursos da companhia foram direcionados ao Banco Master e em que condições isso ocorreu.

Serafini afirmou que é necessário identificar o volume total de recursos envolvidos e avaliar eventuais prejuízos decorrentes de aplicações intermediadas pela instituição financeira.

Pedido de comissão parlamentar

Ao final do discurso, o deputado informou que está em processo de coleta de assinaturas para a criação de uma CPI que investigue a relação do Estado do Rio de Janeiro com o Banco Master. Ele defendeu que a comissão possa colaborar com as investigações já em curso, esclarecer o tamanho do possível rombo e apurar responsabilidades administrativas e políticas.

Segundo Serafini, embora a prisão do ex-presidente do Rioprevidência represente um avanço, o esclarecimento completo do caso depende da análise das decisões que levaram aos investimentos e da identificação de quem autorizou ou sustentou essas operações.

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