247 –- Diretamente de Tegucigalpa, onde presenciou a posse da nova presidente hondurenha Xiomara Castro, a ex-presidente Dilma Rousseff concedeu a terceira entrevista da série de depoimentos sobre seu governo, ao jornalista Leonardo Attuch. Na entrevista, Dilma lembrou que a nova onda de golpes na América Latina começou por Honduras, passou pelo Paraguai e chegou ao Brasil.
– Os golpes trouxeram a fome de volta ao Brasil e à América Latina, mas o povo sempre volta – disse Dilma.
Foi no governo Dilma que o Brasil saiu oficialmente do mapa da fome das Nações Unidas.
– Saímos de 14% da população brasileira com insuficiência alimentar para algo residual – lembra a ex-presidente. Ela elencou os principais motivos para que o Brasil saísse do mapa da fome: aumento do salário mínimo, formalização do trabalho, inclusive doméstico, garantia das aposentadorias rurais, estímulo à agricultura familiar, luz para todos e programas de compras de alimentos.
Na entrevista, a ex-presidente também relembrou como o cadastro único do Bolsa Família foi importante para o combate à pobreza, assim como a concessão do benefício às chefes de família.
– Estávamos empoderando as mulheres. Estávamos dando a elas o poder de renda e da propriedade.
Sobre a concessão de direitos trabalhistas às empregadas domésticas, ela falou sobre o incômodo que a medida gerou na classe média.
– Havia um resquício da escravidão nos lares brasileiros – afirma. Ela também contou um bastidor sobre aquele período.
– O Romero Jucá [então líder do governo no Senado] me dizia: ‘você vai perder a classe média’.
Dilma também destaca que a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) foi uma das pessoas que mais lutaram pelos direitos das domésticas.
Sobre a volta da fome ao Brasil, Dilma atribui isso às medidas tomadas pelo governo golpista de Michel Temer e por sua continuidade, que é a administração de Jair Bolsonaro.
– A fome é a consequência da retirada de direitos. Um país que não considera seu povo sua maior riqueza despreza a nação.
Ela também critica a destruição do parque industrial nacional e volta de um Brasil praticamente rural, após o golpe de estado. “Querem nos transformar numa grande fazenda”, pontua.






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