Fome no Brasil diminui nos governos do PT e dispara após golpe contra Dilma e governos Temer e Bolsonaro, mostra estudo

O Brasil registrou um enorme aumento nos índices de fome a partir do golpe contra a ex-presidente Dilma em 2016, chegando a 33 milhões de pessoas hoje sem ter o que comer. Segundo especialistas ouvidos pelo Poder360, a alta se dá por um conjunto de fatores, incluindo desmonte de políticas públicas e piora da situação…

O Brasil registrou um enorme aumento nos índices de fome a partir do golpe contra a ex-presidente Dilma em 2016, chegando a 33 milhões de pessoas hoje sem ter o que comer.

Segundo especialistas ouvidos pelo Poder360, a alta se dá por um conjunto de fatores, incluindo desmonte de políticas públicas e piora da situação econômica das famílias mais vulneráveis.

Os dados são do projeto Vigisan (Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da covid-19 no Brasil), realizado pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional).

A série histórica apresenta uma queda nos níveis de insegurança alimentar durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), com o país saindo do Mapa da Fome em 2014.

No entanto, os números voltaram a subir a partir do golpe de 2016 e em 2018 tiveram uma alta expressiva no 1º ano da pandemia de covid-19.

FOME DISPARA NO BRASIL NOS GOVERNO TEMER E BOLSONARO.

A partir do golpe a fome disparou no Brasil

Segundo o professor e economista Nilson Maciel, da Rede Penssan, a fome é um fenômeno “endêmico” e não pode ser tratada de forma isolada. “A fome vem acompanhada de uma simbiose muito acentuada, com outras fragilidades: moradia, cuidado com a saúde, comprar remédios, comprar roupa, pagar aluguel, conta de água”, afirma o professor.

O economista disse que os números alcançaram alta expressiva nos últimos anos devido ao desmonte de algumas políticas públicas e instituições iniciado pelo governo de Michel Temer (MDB), em 2016, e continuado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

A mestre em Serviço Social e diretora do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Rita Brandão, destaca a extinção do Ministério de Desenvolvimento Agrário, o desmonte da estrutura do Sisan (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) e a reforma trabalhista como algumas das ações feitas pelo governo Temer que contribuíram para o aumento da fome no país.

“A gestão Bolsonaro deu continuidade ao desmonte”, afirma. No governo Bolsonaro, Brandão cita a “desconstrução e o esvaziamento” de políticas públicas importantes para a garantia do Direito Humano à Alimentação, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o Pnae (Programa Nacional da Alimentação Escolar).

De acordo com a pesquisa, mais da metade da população brasileira vive com algum grau de insegurança alimentar (125,2 milhões de pessoas). O estudo define a situação pela falta de acesso regular e permanente a alimentos e a divide em 3 níveis: leve, moderada e grave.

NEGROS SÃO MAIS AFETADOS

Apesar da insegurança alimentar afetar toda a população, o estudo mostra que lares chefiados por pessoas negras sofrem 39% mais quando comparado com pessoas brancas. A disparidade entre pessoas negras e brancas pode ser observada em todas as 3 categorias da insegurança alimentar, mas é em sua forma mais grave que a diferença é mais expressiva, com 18,1% da população negra passando fome contra 10,6% dos brancos. É uma diferença de 7,5 pontos percentuais.

Segundo Brandão, lares chefiados por mulheres negras são ainda mais afetados não apenas pelos diferentes modos de insegurança alimentar, como também por “todas as formas de desigualdades sociais”.

Ela reforça que as mulheres negras estão na “base da pirâmide” e são expostas a mais vulnerabilidades. A assistente social menciona ainda um maior índice de desemprego, menor acesso à moradia e à educação como fatores para o processo de precarização da vida da população.

“Precisamos reconhecer que vivemos em uma estrutura racista, machista e sexista. A fome tem endereço, cor e sexo. Essa é uma mazela que trava o avanço do Brasil para uma sociedade democrática mais justa e igualitária”, declarou.

REGIÕES

As regiões Norte e Nordeste são as duas com maior percentual da sua população em estado moderado ou grave de insegurança alimentar. Respectivamente, 45,2% e 38,4% das pessoas não têm acesso regular a alimentos. Os números são quase o dobro do Sudeste, a região mais habitada do país.

Em 2021, as duas foram as regiões com menor rendimento médio mensal domiciliar per capita, sendo o Nordeste com R$ 843 e o Norte com R$ 871, segundo levantamento da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua.

Já o Sul e o Sudeste se mantiveram com os maiores rendimentos, com R$ 1.656 e R$ 1.645, respectivamente.

AUXÍLIO BRASIL

Apesar de o governo federal ter aumentado o valor do Auxílio Brasil para R$ 600, o problema da fome no Brasil não deve diminuir significativamente. Os motivos são diversos, mas o principal deles é o modelo do programa social. Segundo Daniel Duque, pesquisador do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), a forma como o auxílio funciona permite disparidades.

Diferentemente do Bolsa Família, seu antecessor, o programa criado pelo governo Bolsonaro não leva em conta o nível de vulnerabilidade para decidir o valor do pagamento às famílias.

Ao extinguir o Bolsa Família, o governo federal alterou o programa para que todas as famílias beneficiárias recebessem R$ 400. Antes, o programa social levava em conta 3 fatores para diminuir as desigualdades sociais:

  • número de integrantes da família (núcleos com crianças);
  • renda familiar per capita;
  • linha da extrema pobreza (benefício que buscava complementar a renda)

Essa disparidade dificulta o combate à fome no país, mesmo com mais pessoas sendo atendidas. Atualmente, são 18,1 milhão de pessoas —a partir da próxima parcela, o governo pretende zerar a fila e beneficiar 20,2 milhões. Para o pesquisador, é necessário que o programa seja redesenhado.

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