O Dia dos Professores, comemorado em 15 de outubro, não passou em branco na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Durante a sessão, deputados trocaram homenagens, compartilharam experiências em sala de aula e cobraram melhores salários e condições de trabalho para os profissionais da educação. A celebração também abriu espaço para críticas à política educacional do governo Cláudio Castro e à situação das escolas estaduais.
Entre os parlamentares que participaram das manifestações estavam Luiz Paulo (PSD), que leciona na Escola do Legislativo, Carlos Minc (PSD), professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Tia Ju (Republicanos), que também é professora e anunciou a intenção de integrar o corpo docente da instituição. Já Vinicius Cozzolino (PSD) aproveitou a data para cobrar providências do governo estadual.
Melhores condições de trabalho
Ao presidir a sessão, Tia Ju destacou a importância dos educadores na formação de profissionais de todas as áreas. A parlamentar lamentou a falta de reconhecimento da categoria e chamou atenção para o adoecimento de professores, os baixos salários e a precariedade das instalações escolares.
“É uma profissão que deve e precisa ser mais valorizada, porque é a partir do professor que surgem todas as demais profissões. Não existe profissão se não houver um professor ali para ensinar”, afirmou.
A deputada também criticou a ausência de espaços adequados para o planejamento das aulas e a correção de provas. Segundo ela, muitos profissionais precisam levar tarefas para casa porque não encontram condições apropriadas nas escolas.
“Na verdade, isso não era nem para ser luta, era para ser um reconhecimento legítimo. Precisamos melhorar a questão salarial dos professores e a condição de trabalho”, declarou.
Tia Ju aproveitou a homenagem para elogiar Luiz Paulo, que ministra aulas na Escola do Legislativo, e revelou que pretende seguir o mesmo caminho. “Eu também, deputado Luiz Paulo, vou tentar, nessa legislatura, ser uma das professoras da Escola do Legislativo, já que agora eu tenho meu diploma de mestrado”, anunciou.
Piso salarial e investimentos em educação
Professor aposentado da UFRJ, Carlos Minc ressaltou que considera o magistério sua verdadeira profissão, apesar de sua longa trajetória na política. “Às vezes, as pessoas perguntam: a sua profissão é deputado? Não, deputado é representação por um curto período, podendo ser renovado ou não. A minha profissão é professor”, afirmou.
Minc criticou a política de remuneração dos docentes estaduais e questionou o desempenho educacional do Rio de Janeiro diante da arrecadação proveniente dos royalties de petróleo e gás. “É inacreditável como o Rio de Janeiro é um dos pouquíssimos estados que não paga o piso nacional para professor. É incrível!”, declarou.
O parlamentar também defendeu a ampliação das escolas de tempo integral e dos investimentos em ciência, tecnologia e pesquisa. Para ele, a valorização dos professores é indispensável para melhorar os indicadores educacionais e o desenvolvimento econômico do país.
Experiências em sala de aula
O deputado Luiz Paulo também fez uma homenagem à categoria e relembrou os 15 anos em que lecionou Topografia no ensino superior, além de outras experiências no magistério.
Atualmente, o parlamentar ministra disciplinas relacionadas ao controle externo da administração pública na Escola do Legislativo. Segundo ele, uma das maiores satisfações de sua trajetória é encontrar antigos alunos que ainda o reconhecem como professor, mesmo depois de décadas.
“Um dia todos, sem exceção, já sentamos num banco escolar e, seguramente, temos lembranças inesquecíveis de professores que marcaram nossas vidas”, destacou.
Para Luiz Paulo, transmitir conhecimento é uma das contribuições mais importantes que uma pessoa pode deixar à sociedade. “O grande legado que a gente pode deixar ao longo da vida é transmitir conhecimento. Conhecimento é algo que ninguém nos tira; a gente leva ao longo do tempo”, afirmou.
O deputado também ressaltou a necessidade de atualização permanente dos educadores, especialmente diante das transformações tecnológicas e do avanço da inteligência artificial.
Infraestrutura precária nas escolas
Em um discurso mais crítico, Vinicius Cozzolino direcionou suas cobranças à política educacional do governo Cláudio Castro. O deputado afirmou ter encontrado escolas com problemas estruturais, falta de funcionários e dificuldades para garantir condições adequadas de ensino.
“O que aconteceu aqui no Governo passado em relação à educação é algo aviltante, é algo que nos entristece demais. Cada escola que eu visitei, eu pude perceber o descaso, o abandono”, declarou, ao criticar a gestão anterior da educação estadual.
Cozzolino relatou a ausência de porteiros, vigias, profissionais de limpeza e agentes de apoio à inclusão. Também mencionou unidades com banheiros deteriorados, quadras sem cobertura e problemas de saneamento.
O parlamentar voltou a defender o Projeto de Lei 709/2023, de sua autoria, que prevê a obrigatoriedade de portarias nas escolas da rede estadual, como medida de organização e segurança.
Outra cobrança foi a incorporação do piso nacional do magistério ao salário dos professores. Cozzolino reconheceu que os profissionais recebem valores complementares para alcançar o piso, mas argumentou que o mecanismo não assegura todos os reflexos remuneratórios reivindicados pela categoria.
“Eu quero fazer aqui um apelo ao governo do estado, um apelo ao futuro governador: que paguem o piso nacional dos professores para que eles possam ter todos os direitos relativos a esse piso e não apenas ao salário-base”, afirmou.
Contratos e aprovação automática são questionados
O deputado também criticou a possibilidade de estudantes avançarem de série com dependência em até seis disciplinas, situação que classificou como uma forma de aprovação automática. Ele anunciou a apresentação de um projeto de decreto legislativo para tentar sustar a resolução da Secretaria de Estado de Educação que permite esse procedimento.
Cozzolino ainda levantou dúvidas sobre um contrato de quase R$ 100 milhões com a Fundação Getulio Vargas (FGV), destinado ao monitoramento da evasão e do abandono escolar. Segundo ele, será apresentado um requerimento de informações para verificar se os serviços contratados estão de acordo com a legislação estadual.
O parlamentar argumentou que a legislação já atribui às coordenadorias regionais de educação responsabilidades relacionadas à busca ativa de estudantes que abandonaram a escola. Por isso, quer esclarecer como essas atribuições serão executadas no contrato.
Apesar das críticas, Cozzolino elogiou a atuação da secretária estadual de Educação, Luciana Calaça, e defendeu o fortalecimento das políticas de apoio psicológico aos profissionais da rede.
Ao encerrar o pronunciamento, homenageou a mãe, Márcia Cozzolino, que, segundo ele, dedica mais de 40 anos à educação, e colocou seu mandato à disposição dos professores.
As manifestações no plenário evidenciaram que, apesar das homenagens pelo Dia dos Professores, permanecem desafios relacionados à remuneração, à estrutura das escolas e às condições de trabalho dos profissionais da educação no Rio de Janeiro.







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