Desembargador que vê “mulherada louca atrás de homem” é alvo de reclamação disciplinar do CNJ

Conselho intimará Espíndola, que terá 15 dias para prestar informações sobre o episódio

O corregedor Nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão, instaurou uma reclamação disciplinar contra o desembargador Luis César de Paula Espíndola após declarações polêmicas feitas na quarta-feira (3). Espíndola afirmou que “as mulheres estão loucas atrás dos homens”. Salomão considerou os comentários graves e destacou a recorrência de casos semelhantes no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Luis César de Paula Espíndola é presidente da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Durante a decisão, Salomão enfatizou a importância de abordar a cultura de violência de gênero presente na sociedade.

“Se a vossa Excelência sair na rua, hoje em dia, quem está assediando, quem está correndo atrás de homens são as mulheres, porque não tem homem. Esse mercado está bem diferente. Hoje em dia, o que existe –essa é a realidade—, as mulheres estão loucas atrás dos homens, porque são muito poucos”, afirmou Espíndola.

O comentário foi feito durante o julgamento de uma medida protetiva em favor de uma adolescente de 12 anos que denunciou assédio de um professor de educação física, absolvido na esfera criminal e administrativa. O caso corre em sigilo.

O CNJ intimará Espíndola, que terá 15 dias para prestar informações sobre o episódio. O processo tramitará em segredo de justiça.

“Infelizmente, ocorrências desse tipo envolvendo a manifestação e a postura de magistrados, com potencial inobservância dos deveres do cargo e princípios éticos da magistratura, têm chegado com recorrência, e, não por acaso, envolvendo mulheres como destinatárias dos atos praticados”, afirmou Salomão.

O Tribunal de Justiça do Paraná informou, por meio de nota, que abriu uma investigação preliminar sobre os comentários de Espíndola, que terá cinco dias para se manifestar. O desembargador, também em nota, afirmou que não teve intenção de “menosprezar o comportamento feminino”.

Com informações da Folha de S.Paulo

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