O deputado Elton Cristo (PP) anunciou que vai propor a criação de uma comissão especial na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para defender a retomada das obras da Usina Nuclear Angra 3, paradas desde 2015.
A intenção é estabelecer um canal direto de diálogo com o Ministério de Minas e Energia, de modo a sensibilizar o governo federal sobre a importância de concluir o projeto, que já tem cerca de 60% de execução.
Audiência aponta prejuízos bilionários
No último dia 21, a Alerj realizou uma audiência pública sobre o tema. Durante o encontro, representantes da Associação de Trabalhadores da Nuclebrás relataram que a paralisação do projeto representa um prejuízo R$ 1 bilhão por ano aos cofres públicos.
O parlamentar esteve presente e destacou que a continuidade das obras é fundamental para o desenvolvimento de Angra dos Reis e da região.
“Se desativar Angra 3, que está com 60% das obras concluídas, ainda iria se gastar milhões, bilhões, fora os danos sociais e econômicos, que conta com empreendimentos para emprego, por exemplo. A ideia é batalhar para que as obras sejam concluídas”, afirmou Elton Cristo. Segundo ele, a finalização do empreendimento é essencial para gerar empregos e garantir segurança energética ao estado.
Venda da Eletronuclear gera questionamentos
Durante a audiência, também foi debatida a recente venda da participação minoritária da Eletrobras na Eletronuclear. A estatal assinou contrato com o grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista, para vender sua fatia na empresa por R$ 535 milhões.
A operação marca a entrada do conglomerado, tradicionalmente ligado ao setor de carnes, na área de geração nuclear e retira da Eletrobrás obrigações que mantinha com o segmento.
A Eletronuclear é responsável pelas usinas Angra 1, com potência instalada de 640 megawatts (MW), Angra 2, com 1.350 MW, e pelo projeto em desenvolvimento de Angra 3, de 1.405 MW.
Deputado cobra transparência e continuidade do projeto
Elton Cristo demonstrou preocupação com a negociação e questionou a pertinência da operação.
“Causou-me estranheza essa compra por um grupo do setor de carne com um passado obscuro. O valor é baixo, pois ainda há a parte de direitos e obrigações que a empresa terá que cumprir. Mas é importante que este projeto vá adiante para que a população não seja prejudicada”, avaliou o deputado.
Para ele, a retomada das obras de Angra 3 representa mais do que a conclusão de um investimento estratégico: é um passo fundamental para fortalecer a autonomia energética do estado e evitar desperdícios de recursos públicos.






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