O deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (MDB), é acusado de nomear a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, um dos chefes do Comando Vermelho (CV), para um cargo na Alerj. A revelação surgiu no contexto das operações Bandeirante e Zargun, deflagradas nesta quarta-feira (3).
Segundo os investigadores, a nomeação não foi um ato isolado: fazia parte de uma estratégia mais ampla de cooperação entre o parlamentar e a facção criminosa. O esquema envolvia, além da concessão de cargos, o uso do mandato de TH Joias para facilitar negociações de drogas, fuzis e até equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, além de reforçar o poder político da facção com respaldo institucional.
Não foi apenas a esposa de “Índio do Lixão” que se beneficiou. Outro aliado do grupo, identificado como Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o “Dudu”, também ocupava cargo em seu gabinete. Ambos foram alvos da operação, que cumpriu dezenas de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.
As investigações ainda apontam para movimentações financeiras suspeitas envolvendo empresas ligadas ao deputado, que teriam sido utilizadas em operações de lavagem de dinheiro. Para os investigadores, TH Joias atuava como um verdadeiro intermediário político do Comando Vermelho, ampliando os interesses da facção dentro e fora das comunidades dominadas pelo tráfico.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, destacou a gravidade do caso: “Estamos diante de uma investigação que comprova a infiltração direta do crime organizado dentro da Alerj. O deputado, eleito para representar a sociedade, colocou seu mandato a serviço da maior facção criminosa do Rio. Não haverá blindagem política para criminosos: seja traficante armado na favela ou de terno na Assembleia, a resposta do Estado será a mesma”.
A operação mobilizou policiais federais, civis e membros do Ministério Público para cumprir 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão. Também houve o sequestro de bens e valores de R$ 40 milhões, além da suspensão de empresas usadas para lavagem de dinheiro. Entre os investigados estão líderes do CV como Índio do Lixão, Pezão, Doca e Paulista, além de agentes públicos e políticos.






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