O deputado federal Reimont (PT-RJ) protocolou na Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação criminal contra o influenciador digital Hytalo Santos, com avaliação de possível prisão preventiva. O parlamentar alega que conteúdos publicados nas redes sociais pelo criador, que conta com milhões de seguidores, expõem e sexualizam crianças e adolescentes, configurando possível exploração sexual e uso irregular de imagens de menores.
A ação de Reimont ganhou força após a repercussão do vídeo “Adultização”, publicado pelo youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, que já soma mais de 20 milhões de visualizações no YouTube. No material, Felca denuncia a produção de conteúdos em que adolescentes aparecem em festas com consumo de bebidas alcoólicas, em cenas íntimas e danças sensuais, e acusa Hytalo de lucrar com a exposição sexualizada desse público.
“Quem ocupa um espaço no Parlamento perdeu o direito de ser omisso. Não podemos nos calar diante da adultização precoce de crianças e adolescentes, que hoje acontece em larga escala nas redes sociais”, afirmou Reimont.
O documento enviado à PGR solicita a abertura urgente de investigação e a apuração de outros influenciadores que possam atuar de forma semelhante. O deputado defende ainda mudanças legislativas para coibir a prática, mencionando que o líder do Republicanos na Câmara, Hugo Motta, deve apresentar um projeto de lei sobre o tema nos próximos dias.
Investigações anteriores e medidas judiciais
Hytalo Santos já é investigado pelo Ministério Público da Paraíba (MP-PB) desde dezembro de 2024 por suspeita de exploração de crianças e adolescentes e trabalho infantil. A promotora Ana Maria França afirma que o caso começou após denúncias de vizinhos sobre festas com barulho e “conteúdos de conotação sexual, embora de forma subliminar”, envolvendo menores que viviam com o influenciador.
O Conselho Tutelar chegou a exigir documentação dos jovens, mas parte só foi entregue após audiência judicial. O MP-PB apura se as condutas se enquadram no artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que criminaliza a produção de imagens pornográficas de menores. Em paralelo, o Ministério Público do Trabalho também investiga o caso.
Nesta segunda-feira (11), uma força-tarefa formada pelo MP-PB, Ministério Público do Trabalho, Gaeco e Polícia Civil entrou com ação civil pública pedindo a suspensão das redes sociais de Hytalo, o retorno dos adolescentes às famílias e a paralisação de sua empresa de rifas e sorteios, acusada de usar imagens de menores de forma irregular. A recomendação foi encaminhada à Loteria do Estado da Paraíba (Lotep).
Repercussão nas redes
Com a divulgação do vídeo de Felca, os perfis de Hytalo Santos e da influenciadora Kamylinha no Instagram foram desativados na última sexta-feira (8). A Meta, responsável pela plataforma, não comentou o motivo da suspensão. A página de Hytalo no YouTube, no entanto, permanece ativa e acumula mais de 1,5 bilhão de visualizações.
Felca afirma que uma das jovens ligadas ao influenciador vive com ele desde os 12 anos, e que seu crescimento foi documentado em vídeos cada vez mais sexualizados. Em um dos trechos apresentados pelo youtuber, a adolescente, hoje com 17 anos, aparece sendo filmada dormindo com pouca roupa, ao lado do namorado, e após cirurgia para colocação de próteses de silicone.
Defesa e críticas
Em vídeo publicado após as denúncias, declarou colaborar com as investigações e classificou o grupo que vive com ele como “uma família não tradicional”. Segundo disse, os pais autorizam sua tutela, ele paga por escolas particulares e custos de vida, e em troca produz conteúdo para redes sociais. Atualmente, afirma viver com apenas duas adolescentes.
A professora de direito constitucional e presidente do Instituto Liberta, Luciana Temer, alerta para a gravidade do caso, que envolve não apenas o conteúdo, mas também seu alcance.
“É assustador pensar quem assiste a esse tipo de material. A exploração sexual infantil migrou também para o ambiente digital, mas a raiz do problema continua sendo a mesma”, avaliou.
O caso segue em investigação, agora também sob a análise da PGR, com possibilidade de novas medidas judiciais nos próximos dias.






Deixe um comentário