Déficit nas contas externas recua em maio enquanto investimento estrangeiro cresce no Brasil

Resultado do setor externo mostra redução do déficit em relação ao ano passado, avanço do superávit comercial e forte alta dos investimentos diretos no país

As contas externas brasileiras encerraram maio de 2026 com déficit de US$ 3,2 bilhões, resultado ligeiramente melhor que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo negativo foi de US$ 3,3 bilhões. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central (BC) e indicam estabilidade no acumulado de 12 meses, período em que o déficit somou US$ 64,1 bilhões, praticamente o mesmo nível observado em abril, quando estava em US$ 64,3 bilhões.

O desempenho das contas externas reflete uma combinação de fatores. Entre eles, a redução do déficit na balança de serviços e o fortalecimento do superávit da balança comercial de bens ajudaram a conter o resultado negativo. Por outro lado, a conta de renda primária permaneceu deficitária, pressionada pelas remessas de lucros, dividendos, juros e outras transferências ao exterior.

Déficit em serviços diminui

Um dos principais fatores que contribuíram para a melhora das contas externas foi a redução do déficit na balança de serviços. Em maio, o saldo negativo ficou em US$ 5,2 bilhões, abaixo dos US$ 6,4 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

A melhora nesse indicador ajudou a compensar parcialmente outros componentes deficitários das transações correntes, contribuindo para que o resultado geral fosse um pouco mais favorável do que o observado um ano antes.

Superávit comercial cresce

A balança comercial de bens também apresentou desempenho positivo em maio. O superávit alcançou US$ 7 bilhões, acima dos US$ 6,4 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado.

O aumento do saldo comercial reforçou a contribuição das exportações líquidas para as contas externas, amenizando parte da pressão exercida pelos demais componentes deficitários.

Renda primária continua pressionando resultado

Apesar da melhora em alguns indicadores, a conta de renda primária permaneceu como um dos principais fatores de pressão sobre as contas externas.

O déficit desse segmento — que reúne remessas de lucros e dividendos de empresas, pagamento de juros da dívida e salários — somou US$ 5,5 bilhões em maio, praticamente repetindo o resultado observado no mesmo período de 2025.

Outro dado que chamou a atenção foi o aumento dos gastos de brasileiros no exterior. Segundo o Banco Central, o saldo das viagens internacionais ficou negativo em US$ 1,3 bilhão, refletindo um crescimento de 13,8% nas despesas realizadas fora do país em comparação com maio do ano passado.

Investimento estrangeiro avança

Enquanto as transações correntes permaneceram deficitárias, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos apresentou forte crescimento.

Os Investimentos Diretos no País (IDP), modalidade voltada para aplicações de longo prazo em empresas, fábricas e projetos produtivos, totalizaram US$ 8 bilhões em maio. O volume representa mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando os aportes somaram US$ 3,9 bilhões.

No acumulado de 12 meses, o estoque desses investimentos chegou a US$ 83,3 bilhões, equivalente a 3,38% do Produto Interno Bruto (PIB). Em abril, o total acumulado era de US$ 79,2 bilhões.

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