O déficit das contas externas do Brasil somou US$ 8,4 bilhões em janeiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (24/2) pelo Banco Central. O resultado representa uma melhora em relação a janeiro de 2025, quando o saldo negativo havia sido de US$ 9,8 bilhões.
As informações constam no relatório de estatísticas do setor externo, documento que reúne mensalmente os fluxos de comércio, serviços, rendas e transferências internacionais.
O que são as contas externas
As contas externas, também chamadas de transações correntes, são um dos principais termômetros da relação financeira do Brasil com o resto do mundo. O indicador reúne o resultado da balança comercial (exportações menos importações), da balança de serviços e das transferências unilaterais, além da movimentação de rendas.
Quando o saldo é negativo, significa que o país enviou mais recursos ao exterior do que recebeu. Já o superávit indica o contrário: entrada líquida de dólares superior às saídas.
No acumulado de 2025, o déficit somou quase US$ 68,82 bilhões, o equivalente a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB).
Considerando o período de 12 meses encerrado em janeiro, o déficit em transações correntes alcançou US$ 67,6 bilhões. Apesar de elevado, o valor ficou abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano anterior, quando o rombo havia atingido US$ 72,4 bilhões.
Balança comercial sustenta melhora
A balança comercial foi um dos fatores que contribuíram para a melhora do resultado mensal. Em janeiro, o superávit comercial foi de US$ 3,5 bilhões, acima do saldo positivo de US$ 1,4 bilhão registrado em janeiro de 2025.
As exportações totalizaram US$ 25,3 bilhões no mês, com leve recuo de 1,2% na comparação anual. Já as importações somaram US$ 21,8 bilhões, queda de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O desempenho das importações, com retração mais intensa que a das exportações, colaborou para ampliar o saldo positivo da balança comercial e reduzir o impacto negativo das demais contas.
Investimento estrangeiro cresce
O fluxo de investimento direto no país (IDP) também apresentou desempenho superior ao de janeiro do ano passado. Em janeiro, ingressaram US$ 8,2 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, ante US$ 6,7 bilhões no mesmo mês de 2025.
No acumulado de 12 meses até janeiro, o IDP alcançou US$ 79,1 bilhões, o equivalente a 3,42% do PIB. Em dezembro de 2025, o montante acumulado era de US$ 77,7 bilhões (3,41% do PIB), enquanto em janeiro do ano passado somava US$ 72,8 bilhões (3,37% do PIB).
O investimento direto é considerado uma fonte mais estável de financiamento do déficit externo, pois está associado a projetos produtivos de longo prazo.
Reservas internacionais sobem
O Banco Central informou ainda que as reservas internacionais aumentaram US$ 6,1 bilhões entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano. O estoque total passou a US$ 364,4 bilhões.
Segundo a autoridade monetária, a expansão das reservas foi impulsionada por contribuições positivas das variações por paridades, que somaram US$ 5,1 bilhões, além de receitas de juros no valor de US$ 789 milhões.
As reservas funcionam como um colchão de proteção contra choques externos, permitindo ao país enfrentar períodos de instabilidade no mercado internacional e variações abruptas no fluxo de capitais.
Apesar da redução do déficit em janeiro, os dados mostram que o Brasil ainda mantém saldo negativo nas transações correntes, financiado principalmente pela entrada de investimentos estrangeiros e sustentado por um elevado nível de reservas internacionais.






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