A defesa do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto apresentou manifestação ao Supremo Tribunal Federal negando qualquer envolvimento em vazamento de informações sobre uma operação policial. O magistrado é investigado por supostamente alertar o ex-deputado Tiego Raimundo, conhecido como TH Jóias, por meio do político Rodrigo Bacellar.
No documento enviado ao STF, os advogados afirmam que a acusação não se sustenta e classificam a hipótese como um “crime impossível”. Segundo a defesa, não há provas concretas de que o desembargador tenha repassado informações sigilosas sobre a operação.
O caso ganhou repercussão após investigações da Polícia Federal indicarem que Júdice teria informado Bacellar, em setembro do ano passado, sobre uma ação contra TH Jóias, apontado como suposto aliado do Comando Vermelho. À época, o magistrado era relator do processo no Tribunal Regional Federal e responsável pela autorização das medidas judiciais.
Investigação aponta suposto aviso antecipado
De acordo com a Polícia Federal, Bacellar teria sido alertado e repassado a informação ao colega parlamentar, o que teria permitido a tentativa de ocultação de provas. Em depoimento, segundo os investigadores, o ex-deputado teria admitido ter feito o alerta.
Para os procuradores, essa conduta pode ter prejudicado diretamente a coleta de evidências e comprometido o andamento da operação policial.
As suspeitas ganharam força com mensagens encontradas no celular de Bacellar, nas quais ele menciona um encontro com Júdice na véspera da operação. O diálogo indicaria que ambos teriam se reunido em uma churrascaria na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Defesa contesta encontro e provas
A defesa de Júdice, no entanto, sustenta que o encontro nunca aconteceu. Segundo os advogados, dados de localização mostram que os celulares dos dois não estiveram no mesmo lugar naquela noite.
Os investigadores levantaram a hipótese de que o desembargador teria deixado o restaurante onde estava com amigos para se encontrar com Bacellar em outro local, sem os aparelhos celulares. Essa versão, porém, é rejeitada pela defesa.
Testemunhas que participaram do jantar afirmaram que Júdice permaneceu no local durante toda a noite. Ao todo, oito pessoas estariam presentes, mas apenas três foram ouvidas oficialmente pela investigação.
Linha do tempo é usada como argumento central
Outro ponto destacado pelos advogados envolve a cronologia dos fatos. Segundo a defesa, TH Jóias já estaria retirando pertences de sua residência horas antes do suposto encontro entre Júdice e Bacellar.
Para os defensores, essa informação enfraquece a tese de vazamento e reforça a ideia de que o crime não poderia ter ocorrido da forma descrita pelas autoridades.
A estratégia jurídica aposta na inconsistência temporal para sustentar que não houve relação entre o magistrado e a suposta antecipação da operação policial.
Denúncia aguarda decisão no STF
Em março, a Procuradoria-Geral da República denunciou Júdice, Bacellar e outros envolvidos por suposto vazamento de informações e favorecimento a investigados ligados ao Comando Vermelho. O relator do caso, Alexandre de Moraes, determinou que os acusados apresentassem defesa prévia antes de decidir sobre a abertura de ação penal.
O desembargador está preso desde dezembro de 2025, enquanto Bacellar voltou à prisão após ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. A decisão considerou que benefícios anteriores perderam validade após a cassação.
Ambos negam qualquer irregularidade e afirmam que irão provar inocência no decorrer do processo.





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