A Força Municipal do Rio de Janeiro completou 30 dias de atuação nas ruas sem realizar nenhum disparo de arma de fogo. Desde o início das operações, em março, a divisão de elite da Guarda Municipal vem ampliando gradualmente sua presença em diferentes regiões da cidade, com previsão de chegada à Tijuca, na Zona Norte, no próximo dia 26.
A primeira ocorrência foi registrada em 18 de março, três dias após o início da operação, na Avenida Presidente Vargas, na altura da estação de metrô da Cidade Nova. Na ocasião, quatro suspeitos foram abordados após forçarem a entrada em um ônibus. Com um deles, foi encontrada uma réplica de arma de fogo.
Desde então, a Força Municipal contabilizou 116 registros de ocorrência, consolidando sua atuação principalmente na região central da cidade.
A estratégia adotada prioriza o uso progressivo da força, evitando confrontos armados sempre que possível.
Atuação baseada em inteligência e prevenção
De acordo com a Secretaria de Segurança Urbana, o uso de armamento letal é considerado a última alternativa. Antes disso, os agentes contam com recursos como spray de pimenta e pistolas de choque, que ainda não foram utilizados neste primeiro mês.
No período, foram realizadas 807 abordagens e 215 conduções a delegacias. As ações se concentram em áreas estratégicas, como o entorno da Central do Brasil, Campo de Santana e Cinelândia, especialmente entre 17h e 22h.
Esse mapeamento é feito com base em dados de ocorrências, que indicam 22 pontos prioritários na cidade. As informações são discutidas semanalmente em reuniões de avaliação, permitindo ajustes rápidos nas operações.
A expansão territorial segue esse mesmo modelo, com foco em regiões de maior incidência criminal.
Expansão para novos bairros
Além do Centro, a Força Municipal já atua em locais como o eixo Rodoviária–Terminal Gentileza–Estação Leopoldina e no entorno do Jardim de Alah, na Zona Sul.
Na Zona Oeste, o eixo entre o calçadão e a estação de trem de Campo Grande passou a contar com os agentes recentemente. O próximo passo será a chegada à Tijuca, onde a atuação está prevista para começar no dia 26, com presença na Praça Afonso Pena e na Rua São Francisco Xavier.
Atualmente, o efetivo conta com 600 agentes, e um novo processo seletivo está em andamento para dobrar esse número.
A ampliação busca consolidar a presença ostensiva como ferramenta de prevenção ao crime.
Percepção de segurança divide opiniões
Na Avenida Presidente Vargas, onde ocorreu a primeira ação, relatos indicam melhora significativa na sensação de segurança. Frequentadores destacam que a presença constante dos agentes, especialmente a pé, tem inibido práticas criminosas.
No entorno do Campo de Santana, comerciantes também relatam tranquilidade maior, inclusive nos fins de semana, com patrulhamento frequente.
Por outro lado, na região da Central do Brasil, há críticas quanto à ausência de agentes em determinados horários, principalmente à noite. Comerciantes afirmam que problemas como furtos, consumo de drogas e desordem urbana ainda persistem.
Na Cinelândia, a percepção é de que a melhora na segurança já vinha ocorrendo antes da chegada da Força Municipal, atribuída à atuação de outras forças policiais.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que a presença contínua e integrada será essencial para resultados mais consistentes.
Integração com outras forças de segurança
A atuação da Força Municipal conta com apoio de delegacias e batalhões da Polícia Militar em áreas estratégicas. No entanto, ainda não há posicionamento oficial sobre o impacto dessa integração na segurança pública como um todo.
A expectativa da prefeitura é que, com a ampliação do efetivo e da área de cobertura, os resultados se tornem mais perceptíveis em toda a cidade.
O primeiro mês sem disparos reforça a proposta de um modelo de policiamento mais preventivo e orientado por dados.





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