A Amazon anunciou a compra da Globalstar por US$ 11,6 bilhões (cerca de R$ 57,8 bilhões), em um movimento estratégico para expandir sua atuação no setor de internet via satélite e enfrentar diretamente a SpaceX, responsável pela rede Starlink.
O acordo, divulgado nesta terça-feira (14), representa uma das maiores aquisições da história da Amazon, ficando atrás apenas da compra da rede Whole Foods, em 2017. A transação ainda depende de aprovações regulatórias e deve ser concluída no próximo ano.
A aquisição reforça o projeto da empresa de criar uma infraestrutura global de conectividade, utilizando satélites em órbita baixa da Terra para oferecer internet em regiões sem cobertura tradicional.
A compra da Globalstar marca um avanço decisivo na corrida espacial comercial, colocando a Amazon em posição mais competitiva frente à liderança da SpaceX.
Estratégia para ampliar cobertura global
Com a incorporação da Globalstar, fundada em 1991, a Amazon passa a ter acesso imediato a espectros de rádio essenciais para serviços de comunicação direta com dispositivos (D2D), tecnologia que permite conexão móvel sem depender de torres terrestres.
Esse tipo de serviço já é explorado pela Starlink e é considerado uma das grandes apostas do setor para os próximos anos, especialmente em áreas remotas ou em situações de emergência.
Além disso, a empresa pretende integrar essa tecnologia ao seu ecossistema de produtos e serviços, ampliando a experiência do usuário em escala global.
Impacto no mercado e parceria com Apple
Um dos pontos sensíveis da negociação foi a participação de 20% da Apple na Globalstar. Como parte do acordo, a Amazon garantiu que continuará apoiando serviços de conectividade via satélite para dispositivos como iPhone e Apple Watch, incluindo funcionalidades de emergência.
As ações da Globalstar já vinham em forte alta, acumulando valorização superior a 270% no último ano, impulsionadas por rumores de aquisição. Antes do anúncio oficial, os papéis já registravam forte valorização no mercado.
O movimento também reforça a tendência de integração entre grandes empresas de tecnologia e infraestrutura espacial, criando novas frentes de receita e inovação.
Desafio: alcançar a liderança da SpaceX
Apesar do avanço, a Amazon ainda está atrás da SpaceX em número de satélites em operação. Enquanto a empresa de Elon Musk conta com mais de 10 mil satélites ativos, a Amazon possui pouco mais de 200 em órbita.
A companhia planeja ampliar esse número para cerca de 700 satélites até meados deste ano, mas enfrenta dificuldades relacionadas à disponibilidade de lançamentos. Inclusive, solicitou recentemente uma extensão de prazo para cumprir metas regulatórias nos Estados Unidos.
Planos futuros e expansão de serviços
Mesmo com os desafios, a Amazon segue investindo em parcerias estratégicas. A empresa já fechou acordos com companhias aéreas para oferecer internet a bordo a partir de 2027 e 2028, ampliando o alcance de seus serviços.
O CEO da empresa, Andy Jassy, já indicou que o segmento de satélites faz parte das principais apostas de crescimento da companhia, avaliada em trilhões de dólares.
A aquisição da Globalstar consolida a entrada da Amazon na disputa global por conectividade espacial, um mercado que promete transformar a forma como pessoas e empresas se conectam ao redor do mundo.





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