A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação em que atribui a medicamentos a “confusão mental” que teria levado o ex-presidente a tentar romper sua tornozeleira eletrônica na madrugada de sábado. O episódio motivou a decretação de sua prisão preventiva.
Advogados citam ‘pensamentos persecutórios’
No documento, os advogados afirmam que Bolsonaro passou a apresentar “novos efeitos colaterais” decorrentes de diferentes medicações prescritas, incluindo “pensamentos persecutórios e distantes da realidade”. Eles solicitam que o ministro Alexandre de Moraes leve o quadro clínico em consideração e reconsidere a decisão que manteve o ex-presidente preso.
Relatório aponta dano ao equipamento
A manifestação foi enviada após Moraes determinar que a defesa explicasse o ocorrido em até 24 horas. A decisão do ministro foi tomada com base em um relatório técnico da Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) do DF, que mostra o equipamento danificado e registra a admissão de Bolsonaro de que tentou abrir a tornozeleira com um ferro de solda.
Bolsonaro fala em ‘paranoia’ e ‘alucinação’
Durante audiência de custódia realizada neste domingo, Bolsonaro afirmou que a atitude foi causada por uma “certa paranoia” e pela “alucinação” de que haveria uma escuta instalada na tornozeleira. A prisão preventiva foi mantida ao fim da audiência.
Laudo médico aponta interação de medicamentos
A defesa anexou um boletim médico que indica que a combinação de dois remédios usados por Bolsonaro pode provocar confusão mental, desorientação, alucinações e transtornos cognitivos. Os advogados alegam que o ex-presidente aparece no vídeo divulgado “com fala arrastada e confusa”, reforçando que não houve tentativa de fuga, mas sim um “comportamento ilógico”.
Pedido de prisão domiciliar humanitária
Os advogados também pediram que Bolsonaro possa cumprir, em casa, a pena de 27 anos e três meses imposta anteriormente, por meio de uma “prisão domiciliar humanitária”. A solicitação havia sido considerada prejudicada por Moraes após a decretação da prisão preventiva.
Audiência valida prisão e afasta abusos
Na audiência, Bolsonaro reiterou que sua ação foi resultado da interação inadequada de medicamentos. A juíza auxiliar Luciana Sorrentino homologou a prisão ao concluir que não houve abusos por parte da Polícia Federal durante o cumprimento do mandado.
STF avaliará prisão preventiva na segunda-feira
Detido na Superintendência da PF em Brasília, Bolsonaro terá sua prisão preventiva analisada pela Primeira Turma do STF em sessão virtual extraordinária nesta segunda-feira. A decisão de Moraes atendeu a um pedido da PF, que apontou risco à ordem pública após uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro no condomínio do ex-presidente. O ministro também destacou a tentativa de romper a tornozeleira como indício de possível fuga.






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