O ex-presidente Jair Bolsonaro informou a seus médicos que enfrentou um episódio de “confusão mental e alucinações” na noite de sexta-feira, segundo boletim clínico divulgado neste domingo. O documento atribui o quadro a possíveis efeitos colaterais da Pregabalina, prescrita por uma médica que não integra a equipe responsável pelo atendimento regular ao ex-presidente.
Medicamento teria interagido com tratamento já existente
De acordo com os médicos Claudio Birolini e Leandro Echenique, a Pregabalina — usada para tratar convulsões e dores neuropáticas — apresenta interação relevante com outros medicamentos utilizados por Bolsonaro para controlar crises de soluço, como Clorpromazina e Gabapentina. O boletim destaca que essa combinação pode provocar confusão mental, sedação, alucinações e outros transtornos cognitivos. Segundo a equipe, o medicamento foi suspenso imediatamente, sem sintomas residuais no momento.
Prisão preventiva foi decretada após tentativa de violação da tornozeleira
Na manhã de sábado, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão preventiva do ex-presidente, citando risco de fuga e a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. A PF registrou que o dispositivo foi danificado às 0h08, e a decisão apontou ainda a mobilização de apoiadores convocados por Flávio Bolsonaro no entorno da residência do ex-presidente.
Audiência de custódia confirma versão de Bolsonaro
Durante audiência de custódia realizada neste domingo, Bolsonaro afirmou ter tido uma alucinação de que havia uma escuta instalada na tornozeleira, o que o levou a tentar abrir o equipamento com um ferro de solda. Ele declarou ter agido sozinho e reconheceu que já possuía o objeto em casa. A prisão preventiva foi mantida ao final da sessão.
Histórico de decisões e condenações no STF
Antes da transferência para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Bolsonaro já cumpria prisão domiciliar preventiva desde agosto, por descumprir medidas cautelares impostas por Moraes. Em setembro, foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a democracia, incluindo tentativa de golpe de Estado. Na semana passada, o tribunal rejeitou recurso da defesa, e a expectativa era de que o ex-presidente começasse a cumprir pena em regime fechado nos próximos dias.
Episódio reforçou decisão judicial
O boletim médico anexado à manifestação da defesa reitera que o estado de confusão mental pode ter sido induzido pela interação de medicamentos. A Polícia Federal relatou que, ainda na madrugada de sábado, Bolsonaro admitiu o uso de ferro de solda para tentar abrir o dispositivo — relato que reforçou a decisão de Moraes de determinar sua prisão preventiva.






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