Os candidatos ao governo do Rio de Janeiro discutiram propostas para o transporte público, a geração de empregos, o saneamento básico e a educação durante o primeiro bloco do debate da TV Globo, na noite desta terça-feira (29).
O encontro também foi marcado por trocas de acusações principalmente entre Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL). Os candidatos discutiram transporte, gestão estadual, a situação financeira do Rio e a relação dos adversários com governos anteriores.
Douglas Ruas questionou Eduardo Paes sobre a promessa de construção da Linha 3 do metrô, que atenderia São Gonçalo e outros municípios da Região Metropolitana. O candidato do PL afirmou que moradores da cidade enfrentam longos deslocamentos diários e criticou a falta de avanços no projeto.
Ruas citou promessas feitas por diferentes candidatos ao longo dos anos e questionou por que Paes, durante suas gestões à frente da Prefeitura do Rio, não havia viabilizado a obra. Também mencionou a proposta de construção de um VLT entre o Aeroporto Santos Dumont e Botafogo.
Eduardo Paes respondeu que a Linha 3 não foi uma prioridade durante suas gestões e afirmou que concentrou investimentos em outras modalidades de transporte.
“Uma área que a gente fez muito foi no transporte”, declarou o prefeito, que citou os investimentos em regiões como a Zona Norte, as favelas e a Zona Oeste. Paes mencionou a expansão do BRT, a construção do Terminal Gentileza e o terminal Margaridas, voltado ao atendimento de passageiros da Baixada Fluminense. Também citou a renovação da frota de ônibus e a previsão de 150 quilômetros de corredores de BRT.

Douglas Ruas rebateu que Paes costuma mudar as prioridades depois de assumir compromissos com a população. O candidato classificou essa postura como um retrato da velha política e afirmou que pretende estabelecer uma parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para avançar no planejamento do metrô.
Eduardo Paes respondeu com críticas à atuação de Ruas na Secretaria Estadual das Cidades, durante o governo Cláudio Castro. Paes também mencionou Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e suas ligações investigadas com o Comando Vermelho (CV). O prefeito criticou ainda os investimentos estaduais na Baixada Fluminense e afirmou que Ruas não conseguiu entregar sequer um corredor de transporte na região.
Emprego: Paes e William Siri apresentam propostas para o estado
Na sequência, Eduardo Paes perguntou a William Siri sobre propostas para a geração de empregos e a formação profissional. O candidato do PSD criticou o que classificou como abandono do ensino técnico e profissionalizante durante os governos estaduais anteriores, citando a redução da oferta de cursos nas Faetecs.
William Siri afirmou que pretende reestruturar o sistema ferroviário e criticou a gestão de Cláudio Castro. O candidato também propôs investir R$ 860 milhões em uma política de tarifa zero no transporte público, reindustrializar o estado e ampliar a infraestrutura produtiva.

Entre as propostas apresentadas por Siri estão a criação de fábricas de vacinas, a instalação de um campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em Campo Grande e a formação de um complexo de saúde. Ele defendeu investimentos em educação e emprego de qualidade para os jovens.
Eduardo Paes afirmou que pretende triplicar a oferta de ensino técnico e profissionalizante, com cursos ligados às vocações econômicas de cada região do estado. Segundo ele, a oferta de formação profissional diminuiu a partir do governo de Wilson Witzel.
Paes também defendeu a melhoria do ambiente de negócios para atrair investimentos e gerar empregos. O candidato mencionou a reforma tributária como uma oportunidade para estimular a economia, mas criticou a situação política do estado e afirmou que a ocupação da Alerj por grupos envolvidos em irregularidades prejudica a atração de empresas.
O prefeito também citou propostas de crédito rural para pequenos produtores e de fortalecimento da indústria naval.
William Siri voltou a criticar a situação da educação profissionalizante e defendeu o fortalecimento das Faetecs e a ampliação do ensino integral. O candidato mencionou as experiências educacionais associadas a Darcy Ribeiro e Leonel Brizola como referências para a política que pretende implementar.
Saneamento: William Siri e Anthony Garotinho defendem reestatização da Cedae
William Siri questionou Anthony Garotinho sobre as propostas para o saneamento básico. O candidato do PSOL criticou Douglas Ruas e os grupos políticos que governaram o estado nos últimos anos, citando a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). Em seguida, afirmou que pretende reestatizar a empresa.
Anthony Garotinho declarou que seu nome estará na urna e aproveitou a resposta para se apresentar como candidato contrário ao que chamou de “máfias” e “podres poderes”.

Ele também defendeu a reestatização da Cedae e afirmou que a medida permitiria reduzir a conta de água. Garotinho disse ainda que o estado não deveria cobrar pelo tratamento de esgoto onde o serviço não é oferecido.
O candidato atribuiu ao ex-governador Sérgio Cabral a autorização para a venda da companhia.
William Siri afirmou que pretende reestatizar a Cedae e fiscalizar os contratos do setor. O candidato também destacou sua experiência pessoal com a falta de saneamento básico e defendeu investimentos em infraestrutura para ampliar o acesso da população aos serviços essenciais.
Anthony Garotinho voltou ao tema e afirmou ter auditado licitações relacionadas à concessão dos serviços da Cedae. Segundo ele, o edital apresenta irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Garotinho disse que pretende buscar a anulação do processo pela via judicial e alegou ter provas de que o edital teria sido elaborado para favorecer as concessionárias.
Dívida do estado: Garotinho e André Marinho trocam acusações
Anthony Garotinho questionou André Marinho sobre a dívida pública do Rio de Janeiro. Na resposta, o candidato afirmou que o problema do estado não é a falta de dinheiro, mas a corrupção.
André Marinho mencionou duas listas que, segundo ele, estariam relacionadas às origens do endividamento e a grupos políticos do estado. Ao citar nomes, mencionou Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Rodrigo Amorim, Max Lemos e Doutor Luizinho. Também citou Cavaliere, Soranz, Laura Carneiro e Dionísio Lins.

Marinho relacionou as listas a investigações e representações envolvendo autoridades e políticos. Ele atribuiu ao governo Cláudio Castro o desvio de R$ 8 bilhões e afirmou acreditar que o valor seria maior.
André Marinho, ao rebater Garotinho, afirmou que o ex-governador conhece a situação das contas públicas por sua experiência política e o acusou de fazer parte do mesmo sistema que critica.
Anthony Garotinho respondeu que negociou a dívida do estado durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).
André Marinho voltou a afirmar que a crise fluminense não decorre da falta de recursos, mas da corrupção.
Educação: Douglas Ruas defende ampliação de escolas cívico-militares
André Marinho perguntou a Douglas Ruas sobre propostas para melhorar os indicadores educacionais do Rio, com destaque para o desempenho do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Douglas Ruas classificou a posição do estado nos indicadores educacionais como uma vergonha e defendeu a ampliação do modelo de escolas cívico-militares. Segundo ele, o Rio conta com 17 unidades desse tipo, que, na avaliação do candidato, oferecem um ambiente escolar organizado, com disciplina e respeito.
Ruas afirmou que os resultados desse modelo já aparecem nas notas do Ideb e propôs ampliar a qualificação profissional desde o primeiro ano do ensino médio. Segundo ele, a medida ajudaria os jovens a identificar oportunidades de formação e inserção no mercado de trabalho, além de dar mais segurança às famílias sobre o futuro dos filhos.
André Marinho também defendeu a ampliação das escolas cívico-militares e afirmou que pretende criar um ambiente educacional do qual a população possa se orgulhar.
O candidato declarou ainda que o piso salarial do magistério será uma prioridade de seu governo e criticou a política educacional da Prefeitura do Rio, comandada por Eduardo Paes.
Douglas Ruas voltou a defender a valorização dos profissionais da educação e criticou os resultados da rede municipal carioca. O candidato afirmou que um em cada quatro alunos do estado estaria vinculado à rede municipal e acusou Paes de enganar as famílias.
Ruas também contestou os índices de aprovação escolar apresentados pela gestão municipal. Segundo ele, a aprovação de 99% dos alunos ocorreria de forma automática. O candidato afirmou ainda que oito em cada dez estudantes terminariam o ano sem saber matemática e que quatro em cada dez não dominariam adequadamente a língua portuguesa.






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