O segundo bloco do debate da TV Globo entre candidatos ao governo do Rio de Janeiro foi marcado por trocas de acusações sobre violência contra a mulher, alianças políticas e segurança pública. Eduardo Paes e Douglas Ruas discutiram propostas para a proteção feminina e fizeram críticas pessoais.
Na sequência, André Marinho questionou Anthony Garotinho sobre o combate ao crime organizado, enquanto o candidato do PDT defendeu a criação de um novo batalhão de ocupação e uma política de assistência social nas comunidades. O avanço de grupos criminosos sobre instituições do estado também esteve entre os principais temas.
Violência contra a mulher: Paes e Ruas trocam acusações
O tema da violência contra a mulher abriu uma discussão entre os candidatos. William Siri abordou a escala de trabalho 6×1, enquanto Douglas Ruas não apresentou uma posição sobre o assunto com clareza, apenas informou que empresários “não poderiam pagar a conta”. O candidato do PL mencionou clínicas da mulher, e Eduardo Paes apresentou propostas relacionadas à rede de atendimento e à segurança das vítimas.
O pessedista citou políticas públicas implementadas durante suas gestões na Prefeitura do Rio, como a Secretaria da Mulher e as Casas da Mulher Carioca. O candidato também mencionou a ampliação da Ronda Maria da Penha e afirmou que pretende triplicar o programa.
Paes reforçou que criará oito delegacias da mulher com funcionamento 24 horas, além das unidades já existentes, para reforçar o combate à violência de gênero.
Douglas Ruas afirmou que as propostas apresentadas pelo adversário não constariam do plano de governo e o acusou de incorporar ideias de outros candidatos.
Paes e André Marinho discutem renovação política e Alerj
Em seguida, Eduardo Paes questionou André Marinho sobre a apresentação de Douglas Ruas como representante de uma renovação política no estado. O ex-alcaide perguntou como o candidato do PL poderia representar uma mudança se era ligado ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, preso sob suspeita de envolvimento com o crime organizado.
André Marinho criticou Paes e afirmou que ele não teria legitimidade para cobrar os adversários. O candidato também questionou a capacidade de Ruas de representar uma renovação política e afirmou que ele precisaria responder às contradições de sua trajetória e às relações com grupos políticos da Alerj.
Marinho declarou que a única mudança pretendida por Paes seria a troca de palácio e o acusou de não cumprir promessas.
Eduardo voltou a criticar a Assembleia Legislativa e afirmou que o estado precisa enfrentar os problemas relacionados à escolha de seus comandantes e à influência política sobre a segurança pública.
André Marinho respondeu que pretende enfrentar esses problemas de maneira direta.
Segurança pública: Garotinho propõe novo batalhão de ocupação
André Marinho perguntou a Anthony Garotinho sobre as propostas para a segurança pública. Ao introduzir a questão, afirmou respeitar a trajetória do ex-governador e classificou o enfrentamento do crime organizado como uma das principais missões do próximo governo.
Anthony Garotinho defendeu a criação de uma nova estrutura de combate ao crime, chamada por ele de “Bope 2.0”, e já apresentada em seu plano de governo, com um batalhão de ocupação territorial.
A proposta, segundo o candidato, prevê que as operações policiais sejam acompanhadas por equipes de investigação da Polícia Civil e por uma chamada tropa social, responsável por oferecer assistência às comunidades ocupadas.
Garotinho afirmou que pretende combinar ações policiais com programas de recuperação social, geração de renda e renda mínima. Também defendeu a participação de forças federais no cerco a comunidades dominadas por grupos criminosos e a retomada desses territórios pelo poder público.
André Marinho critica sequestro de ônibus e defende integração das forças
André Marinho citou o sequestro de um ônibus de uma escola particular nas proximidades do Complexo da Maré e afirmou que situações desse tipo deixam marcas nos moradores, especialmente nas crianças.
O candidato defendeu que o governador eleito acompanhe diretamente as operações de segurança e atue para integrar as forças policiais. Marinho também citou a reivindicação de autoria de um episódio de violência à Peixão e afirmou que pretende localizar e prendê-lo. “Você é o próximo”, asseverou.
Anthony Garotinho respondeu que a segurança pública não deve se limitar à atuação policial. O candidato defendeu novamente a tropa social e afirmou que a maioria dos moradores das comunidades é formada por pessoas trabalhadoras, submetidas à pressão de grupos criminosos.
Ele atribuiu o avanço dessas organizações à corrupção e à influência do crime organizado sobre setores da política estadual.
Garotinho questiona lista atribuída a Bacellar; Siri cobra divulgação
Na sequência, Anthony Garotinho questionou William Siri sobre uma lista que, segundo ele, estaria relacionada à propina do bicheiro Adilsinho a Rodrigo Bacellar e incluiria políticos de diferentes partidos.
Garotinho afirmou que a lista deveria ter sido divulgada antes da eleição e criticou a presença de pessoas supostamente envolvidas em irregularidades na política fluminense.
William Siri respondeu que, caso a lista exista, ela deveria ser tornada pública. O candidato afirmou que a atuação da Polícia Federal foi decisiva para que Bacellar não permanecesse no cenário político e criticou as relações entre o poder público e o crime organizado.
Siri também mencionou declarações de Douglas Ruas sobre Bacellar e afirmou que o episódio demonstra a necessidade de investigar as relações entre políticos e grupos criminosos.
O candidato do PSOL defendeu o desmantelamento dessas organizações e a retomada dos territórios dominados pelo crime. Como exemplo, afirmou que pretende começar pela região da Providência, no Rio, com a presença do Estado para além das operações policiais.
Segundo Siri, a estratégia deve incluir serviços públicos e ações permanentes nos territórios, além da atuação das forças de segurança.
Siri critica influência das milícias e defende melhores condições para policiais
Anthony Garotinho afirmou que denuncia há anos a relação entre corrupção e insegurança pública no estado. O candidato citou áreas como Maré, Complexo do Alemão e Pedreira ao defender a retomada dos territórios dominados por grupos criminosos.
William Siri encerrou sua participação no tema criticando o que classificou como tentativa de expansão da influência das milícias na política nacional. O candidato mencionou o senador Flávio Bolsonaro e afirmou que pretende garantir melhores condições de trabalho aos policiais e servidores da segurança pública.
Siri citou problemas de infraestrutura nas unidades policiais, como a falta de ar-condicionado, e defendeu a realização de concursos públicos para reforçar os efetivos.
Para o candidato, o enfrentamento ao crime organizado deve combinar investigação, valorização dos profissionais, ampliação dos serviços públicos e presença permanente do Estado nas comunidades.






Deixe um comentário