Presidente nacional do Democracia Cristã (DC), João Caldas se reuniu nesta terça-feira (19) com o deputado federal Aécio Neves, principal liderança do PSDB, em busca de apoio à construção de uma aliança eleitoral em torno do nome de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF. As informações são da coluna Painel, publicada pela Folha de S. Paulo.
Barbosa filiou-se ao DC no início de abril e passou a ser tratado pela legenda como principal aposta para a disputa presidencial. Apesar disso, aliados admitem que a candidatura depende diretamente da formação de uma estrutura política mais robusta.
O Democracia Cristã enfrenta limitações importantes para uma campanha nacional. A legenda possui bancada reduzida, pouco acesso ao fundo eleitoral, não dispõe de tempo relevante de televisão e, pelas regras atuais, corre risco de ficar fora de debates promovidos pelas emissoras.
Diante desse cenário, o partido tenta construir alianças com siglas de maior porte para fortalecer a possível candidatura do ex-ministro.
Segundo interlocutores, Joaquim Barbosa condicionou a entrada definitiva na disputa à garantia de uma estrutura mínima de campanha.
Encontro com Aécio foi considerado positivo
A conversa entre João Caldas e Aécio Neves ocorreu em meio às movimentações do PSDB para redefinir sua posição na corrida presidencial de 2026.
De acordo com integrantes do DC, o encontro teve clima considerado positivo, embora sem qualquer definição concreta sobre eventual apoio tucano.
Aécio teria sinalizado que pretende consultar outras lideranças do PSDB antes de avançar nas negociações.
O partido ainda avalia qual estratégia adotará para a eleição presidencial após mudanças recentes em seu cenário interno.
Os tucanos chegaram a lançar a pré-candidatura do ex-ministro Ciro Gomes ao Palácio do Planalto, mas ele posteriormente decidiu priorizar uma possível candidatura ao governo do Ceará.
A partir disso, o PSDB voltou a discutir alternativas para a disputa nacional.
DC procura partidos maiores para fortalecer campanha
Além do PSDB, o Democracia Cristã também iniciou conversas com outras siglas em busca de apoio político para Joaquim Barbosa.
Segundo aliados de João Caldas, já houve diálogo com dirigentes de partidos como PSD, Republicanos e Podemos.
Até o momento, porém, nenhuma das legendas assumiu compromisso formal de apoiar o ex-ministro do STF.
A avaliação dentro do DC é de que a candidatura de Barbosa pode atrair eleitores ligados ao discurso de combate à corrupção e defesa da ética pública, especialmente por causa da trajetória do ex-ministro durante o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal.
João Caldas trabalha para construir uma plataforma política centrada justamente nesses temas.
A proposta defendida pela legenda envolve uma campanha baseada na defesa da ética na política e também no sistema de Justiça.
Disputa interna ameaça gerar crise no partido
Enquanto tenta consolidar a candidatura de Joaquim Barbosa, o Democracia Cristã também enfrenta tensões internas.
O partido possui outro pré-candidato à Presidência: o ex-ministro Aldo Rebelo.
Segundo dirigentes da legenda, Aldo ameaça recorrer à Justiça caso não receba apoio interno equivalente ao dado a Joaquim Barbosa.
O impasse abriu uma disputa dentro do partido sobre os critérios para escolha do candidato que representará a sigla na corrida presidencial.
Nos bastidores, integrantes do DC tentam evitar que o conflito interno enfraqueça as negociações políticas em andamento com outras legendas.
Joaquim Barbosa volta ao cenário político nacional
A movimentação marca o retorno mais efetivo de Joaquim Barbosa ao debate político nacional desde que deixou o Supremo Tribunal Federal.
Nos últimos anos, o ex-ministro chegou a ser cotado em diferentes momentos para disputar a Presidência da República, mas acabou desistindo das articulações anteriores.
Agora, aliados avaliam que o cenário político fragmentado pode abrir espaço para uma candidatura com discurso voltado ao combate à corrupção, independência institucional e renovação política.
Mesmo assim, interlocutores reconhecem que a principal dificuldade segue sendo estrutural.
Sem alianças amplas, tempo de televisão e recursos financeiros, o DC avalia que uma candidatura presidencial isolada teria dificuldades para ganhar competitividade nacional.
Por isso, as próximas semanas devem ser decisivas para definir se Joaquim Barbosa terá ou não uma base política mais sólida para entrar oficialmente na corrida pelo Palácio do Planalto.






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