Democracia Cristã confirma pré-candidatura de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, à Presidência da República

Filiação abre disputa interna com Aldo Rebelo e expõe embate sobre candidatura do partido para 2026

A confirmação da pré-candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa à Presidência da República pelo partido Democracia Cristã (DC) desencadeou uma crise interna na legenda e colocou em lados opostos integrantes da direção nacional e o ex-ministro Aldo Rebelo, que já havia sido anunciado anteriormente como nome do partido para a disputa eleitoral de 2026. As informações são d o portal Brasil 247.

A movimentação política ocorre em um momento de reorganização partidária para as eleições presidenciais e revela divergências sobre os rumos da sigla na corrida pelo Palácio do Planalto.

Aldo Rebelo afirmou à TV Globo que não pretende abrir mão da pré-candidatura e sinalizou que poderá recorrer à Justiça para manter sua posição dentro do partido, “mesmo que tenha que judicializar”.

A declaração aumentou a tensão interna no Democracia Cristã após o anúncio feito pela direção nacional da legenda sobre a entrada de Joaquim Barbosa na disputa presidencial.

Mudança de estratégia

O presidente nacional do DC, João Caldas, defendeu publicamente a escolha do ex-ministro do STF e afirmou que o partido decidiu apostar em um nome com maior potencial competitivo para o cenário eleitoral de 2026.

Em nota oficial, Caldas afirmou que Joaquim Barbosa representa um símbolo de reconstrução institucional em meio ao atual cenário político brasileiro.

“Sua trajetória honra os valores republicanos e responde ao desejo de mudança da sociedade brasileira”, declarou.

O dirigente também fez referência às disputas políticas e institucionais enfrentadas pelo país nos últimos anos.

“O momento exige união, propósito e desprendimento. O Brasil está acima de projetos pessoais”.

Segundo João Caldas, a mudança ocorreu porque Aldo Rebelo não teria conseguido ampliar sua presença nas pesquisas de intenção de voto ao longo dos últimos meses.

“Ele se filiou ao partido para concorrer. Atualmente, vivemos no Brasil uma crise institucional entre os três poderes. Não existe ninguém melhor do que Joaquim Barbosa para resolver isso. Ele será o mensageiro que nos resgatará desse cenário”, afirmou.

Reação de Aldo Rebelo

Aldo Rebelo reagiu à decisão e contestou a condução da direção partidária. O ex-ministro afirmou que a escolha anunciada representa apenas a posição do presidente nacional do partido e não uma definição consolidada da legenda.

Ele também destacou que Joaquim Barbosa ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a pré-candidatura até o momento da publicação da reportagem.

Procurado pela TV Globo, Joaquim Barbosa não respondeu aos pedidos de entrevista.

A possibilidade de judicialização da disputa interna expõe o risco de aprofundamento da divisão dentro do Democracia Cristã em um momento considerado estratégico para a formação de alianças e definição de candidaturas.

Trajetória no STF

Joaquim Barbosa integrou o Supremo Tribunal Federal entre 2003 e 2014 e ganhou notoriedade nacional durante o julgamento da ação penal do mensalão, um dos processos mais emblemáticos da história recente da política brasileira.

Ao longo de sua trajetória no STF, Barbosa ocupou a presidência da Corte e se tornou uma das figuras mais conhecidas do Judiciário brasileiro.

Em julho de 2014, decidiu deixar o tribunal antes da aposentadoria compulsória. Caso tivesse permanecido no cargo, poderia seguir como ministro até 2029, quando completaria 75 anos.

Desde então, o ex-ministro passou a ser frequentemente citado em cenários eleitorais e em articulações políticas ligadas ao centro e à terceira via.

Histórico eleitoral

O nome de Joaquim Barbosa já havia sido cogitado para disputar a Presidência da República em 2018. Na ocasião, ele chegou a aparecer em pesquisas de intenção de voto e despertou interesse de diferentes partidos políticos.

Apesar disso, desistiu da candidatura antes do início oficial da campanha eleitoral daquele ano.

Agora, a filiação ao Democracia Cristã recoloca o ex-ministro no centro das articulações para 2026 e cria um novo foco de tensão dentro da legenda, que ainda precisará definir oficialmente seu candidato durante a convenção partidária.

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