Filiação de Joaquim Barbosa ao DC desagrada dirigente de SP e ameaça racha no partido

Cândido Vaccarezza promete articulação nacional para barrar candidatura do ex-ministro do STF à Presidência em 2026

Pouco mais de 24 horas após ter sido anunciada, a entrada do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa no Democracia Cristã (DC) provocou uma crise interna no partido e abriu disputa sobre a possível candidatura presidencial para as eleições de 2026. O principal foco da reação veio do presidente do diretório paulista da legenda, o ex-deputado federal Cândido Vaccarezza, que classificou Barbosa como “inapoiável” e prometeu atuar para impedir sua candidatura ao Palácio do Planalto.

Barbosa se filiou ao DC no dia 2 de abril, poucos dias antes do fim do prazo legal de filiação partidária para disputar as eleições deste ano. A direção nacional da sigla, comandada pelo ex-deputado João Caldas, trabalha para lançar o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal como candidato à Presidência da República.

Vaccarezza porém, de acordo com a coluna Painel, da Folha de S Paulo, afirmou que a filiação ocorreu sem diálogo interno e acusou a cúpula do partido de agir de forma sigilosa. Segundo ele, a decisão gerou desgaste entre lideranças que ajudaram a construir o partido.

“O ministro Joaquim Barbosa foi filiado na surdina e de forma subreptícia”, declarou o dirigente paulista.

O ex-parlamentar também criticou o histórico de Barbosa no STF, especialmente sua atuação como relator do processo do mensalão, julgamento que abalou o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vaccarezza afirmou que o ex-ministro teria iniciado práticas de “lawfare” no Brasil — termo usado para definir perseguição política por meio do sistema judicial.

“Ele começou o lawfare no Brasil, não tem compromisso com a democracia, nem experiência política. Não podemos entregar o Brasil para um personagem como esse”, afirmou.

Aliado do ex-ministro Aldo Rebelo, que atualmente é o nome defendido por parte do DC para disputar a Presidência, Vaccarezza disse que começará uma articulação nacional para barrar o avanço de Barbosa dentro da legenda. Segundo ele, dirigentes de vários estados devem participar das discussões nos próximos dias.

Nos bastidores, integrantes ligados a Aldo Rebelo falam em “quebra de confiança” por parte da direção nacional do partido, alegando que a possível substituição do presidenciável ocorreu sem negociação prévia.

O projeto político do DC é lançar Joaquim Barbosa como candidato com discurso voltado à ética pública e reformas no Judiciário, aproveitando a repercussão nacional de casos recentes envolvendo o sistema judicial brasileiro.

Apesar da pressão interna, Barbosa ainda não comentou oficialmente sobre a candidatura presidencial nem sobre a crise dentro da legenda.

Vaccarezza, que foi deputado estadual e federal pelo PT, deixou o partido em 2016 e posteriormente se filiou ao então PTdoB, que depois trocou de nome para Avante. Em 2025 ele se filiou ao Democracia Cristã (DC) e assumiu a direção estadual do partido em São Paulo. Em 2017, Vaccarezza chegou a ser preso durante desdobramentos da Operação Lava Jato.

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