David, do Vasco, admite conhecer investigados, mas nega ligação com crimes

Polícia busca no aparelho conversas com um dos alvos da investigação; defesa e empresário negam envolvimento do atleta

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O atacante David Corrêa, do Vasco, admitiu em depoimento à Polícia Civil que conhece pessoas no Espírito Santo ligadas à investigação de uma organização criminosa com atuação interestadual. O jogador, no entanto, negou qualquer participação em tráfico de armas ou drogas e afirmou desconhecer eventuais crimes cometidos pelos investigados.

David prestou depoimento nesta segunda-feira depois de ter sido alvo de um mandado de busca e apreensão no Rio. O celular do atleta foi apreendido e passou a ser analisado pelos investigadores, que buscam conversas com um dos alvos da operação.

O atacante cresceu no Espírito Santo e, segundo seu depoimento, conhece pessoas que podem estar relacionadas à investigação. David sustentou, porém, que não sabe quais crimes teriam sido praticados nem quem estaria envolvido em cada um dos fatos apurados.

Defesa nega envolvimento

Advogados do Vasco que tiveram acesso ao depoimento afirmam que não há elementos que impliquem David no caso. Mesmo assim, o clube mantém o suporte jurídico ao jogador durante a investigação.

O empresário do atleta, André Cury, também negou qualquer envolvimento de David com atividades criminosas.

“Não tem nada. Não há qualquer risco para ele. David é profissional. Para pedir esclarecimentos não precisava mandar busca e apreensão, fazer toda essa tempestade”, afirmou Cury.

O empresário argumentou ainda que o fato de o atacante ter crescido na periferia e manter conhecidos de sua região de origem não significa que tenha participação em atividades ilegais.

Operação investiga quadrilha interestadual

A investigação apura a atuação de uma organização criminosa com ramificações em diferentes estados. A polícia também analisa possíveis relações de outros atletas profissionais e empresários com integrantes do grupo.

No Rio, a operação é coordenada pela 14ª DP (Leblon), com apoio da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Desarme) e de outras unidades do Departamento-Geral de Polícia da Capital.

Batizada de Operação A Tropa, a ação reúne polícias civis de diferentes estados e prevê o cumprimento de quatro mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão. Cerca de 100 policiais participam das diligências.

Os investigados são suspeitos de organização criminosa, tráfico de drogas e armas e lavagem de dinheiro. Há ações em municípios da Grande Vitória e em Afonso Cláudio, no Espírito Santo, além de alvos no Rio de Janeiro, em Goiás e no Distrito Federal.

Até o momento, as informações disponíveis não apontam David como autor desses crimes. O jogador aparece no contexto da investigação porque a polícia busca esclarecer suas relações e eventuais conversas com pessoas investigadas.

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