Datafolha aponta divisão sobre possível interferência estrangeira nas eleições de 2026

Metade dos eleitores vê possibilidade de atuação de outros países no pleito, enquanto 43% descartam esse cenário

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Uma pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (22) mostra que 50% dos brasileiros consideram existir possibilidade de outros países interferirem nas eleições de 2026. Entre os entrevistados, 32% avaliam que uma eventual interferência seria um problema, enquanto 18% dizem que não haveria problema nesse cenário.

Outros 43% não acreditam que possa ocorrer interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. O levantamento ainda aponta que 8% dos entrevistados não souberam responder ou não quiseram opinar.

A pesquisa foi realizada em um momento de aumento das declarações e medidas de líderes estrangeiros relacionadas à eleição brasileira. O levantamento foi contratado pela Folha e pela Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pesquisa ouviu mais de 2 mil eleitores

O Datafolha entrevistou 2.058 eleitores entre os dias 18 e 20 de agosto. As entrevistas foram realizadas presencialmente em pontos de fluxo populacional em diferentes locais do país.

A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. Este foi o primeiro levantamento do instituto após o encerramento do período de registro das candidaturas e o início oficial da campanha eleitoral.

A pesquisa também reforça que os resultados representam a percepção dos entrevistados no momento em que o trabalho de campo foi realizado e não constituem uma previsão do resultado das urnas.

Percepção muda entre eleitores

A avaliação sobre uma possível interferência estrangeira apresenta diferenças entre os eleitores dos principais candidatos à Presidência. Entre os que declararam intenção de votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 36% consideram que existe risco de intervenção estrangeira e que isso seria um problema.

No mesmo grupo, 46% descartam a possibilidade de interferência. Apenas 9% afirmam que uma eventual atuação estrangeira não seria um problema.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 24% enxergam risco e consideram a interferência problemática. Outros 39% não acreditam na possibilidade, enquanto 32% dizem que não haveria problema caso outros países interferissem no processo eleitoral.

Cenário internacional influencia debate

Ao formular a pergunta, o Datafolha pediu que os entrevistados levassem em consideração manifestações de líderes de outros países sobre as eleições brasileiras. A questão ocorre em meio a uma série de episódios envolvendo Estados Unidos e Argentina.

Nos últimos meses, o governo de Donald Trump adotou sobretaxas sobre produtos brasileiros e voltou a discutir possíveis sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O Itamaraty também recusou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Na Argentina, o presidente Javier Milei fez declarações críticas a Lula e a Alexandre de Moraes. Milei também esteve no Brasil para participar de uma convenção do PL que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Lula e Trump tiveram conversa recente

O cenário internacional também esteve presente nas relações entre os governos brasileiro e americano. Na sexta-feira (21), Lula conversou por telefone com Trump e afirmou que as justificativas utilizadas para o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros eram infundadas.

Segundo o levantamento, o debate sobre eventual interferência estrangeira ocorre, portanto, em meio a tensões diplomáticas e manifestações públicas de autoridades estrangeiras sobre a política brasileira.

A percepção registrada pelo Datafolha mostra que o tema divide a população às vésperas das eleições de 2026, com metade dos entrevistados admitindo algum grau de possibilidade de atuação estrangeira no pleito.

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