O primeiro debate presidencial do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band, foi marcado por reclamações nos bastidores, atrasos e provocações entre aliados dos candidatos. A movimentação no estúdio e a presença de antigos adversários políticos entre os convidados também chamaram a atenção.
Durante o primeiro intervalo, o ministro licenciado Sidônio Palmeira, responsável pela coordenação da comunicação da campanha de Lula, reclamou diretamente com Flávio sobre os gestos e as caretas feitos pelo candidato do PL enquanto o presidente falava. A movimentação era permitida pelas regras do debate, mas provocou incômodo entre os aliados do petista.
O encontro também teve a presença do senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que vestia uma camiseta com a frase “eu prendi o Lula”, além de uma concentração de apoiadores dos dois candidatos em frente à emissora.
Sidônio reclama de gestos de Flávio
No primeiro intervalo do debate, Sidônio Palmeira e outros aliados de Lula foram até Flávio Bolsonaro para reclamar da postura do adversário durante o primeiro bloco. Segundo os relatos, o candidato do PL apareceu ao fundo enquanto o presidente falava, fazendo gestos e caretas.
A movimentação não era proibida pelas regras do confronto, mas provocou uma reclamação em voz alta. Mesmo diante da manifestação dos aliados do presidente, Flávio não mudou sua postura no estúdio.
Lula conversou com Sidônio durante o intervalo, ao lado do fotógrafo Ricardo Stuckert. O episódio ocorreu no primeiro confronto direto entre os dois candidatos na disputa presidencial de 2026.
Deltan Dallagnol usa camiseta com provocação a Lula
Outra cena que chamou a atenção foi a presença de Deltan Dallagnol na primeira fila da plateia. O senador eleito pelo Novo no Paraná vestia uma camiseta com a frase “eu prendi o Lula”, em referência à atuação dele como coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba.
A peça reproduzia uma imagem semelhante ao PowerPoint utilizado pela operação, com setas direcionadas ao nome do presidente. Dallagnol estava sentado ao lado de Sergio Moro (PL), governador eleito do Paraná e ex-juiz da Lava-Jato.
A presença dos dois políticos reuniu, na plateia, antigos integrantes da operação que levou a processos e condenações contra Lula, posteriormente anuladas pela Justiça.
Atrasos alteram a programação da Band
A chegada dos candidatos também foi marcada por atrasos. Flávio Bolsonaro era esperado por volta das 18h45, enquanto Lula tinha previsão de chegada às 19h10. Os dois deveriam conceder entrevistas à imprensa antes do debate, mas não falaram com os jornalistas, e a Band precisou ajustar a programação.
O atraso de Flávio gerou preocupação entre integrantes de sua equipe. Segundo os relatos dos bastidores, o candidato queria chegar acompanhado de aliados, que foram transportados em uma van.
Entre os integrantes do grupo estavam o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), Sergio Moro, Deltan Dallagnol e o influenciador Pablo Marçal, que participou da preparação de Flávio para o confronto.
Pablo Marçal e Duda Lima chegam juntos
Pablo Marçal entrou na emissora acompanhado do marqueteiro Duda Lima. A presença dos dois chamou a atenção porque eles estiveram em lados opostos na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024.
Naquela eleição, Duda Lima trabalhou na campanha de Ricardo Nunes (MDB). Durante o período eleitoral, ele chegou a ser agredido com um soco por um videomaker ligado à equipe de Marçal, em um episódio que foi registrado na delegacia.
Flávio também chegou acompanhado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e porta-voz da área econômica de sua campanha. Na sequência, compareceu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), acompanhado do senador eleito André do Prado (PL).
Lula reúne aliados e integrantes da campanha
Lula chegou à Band acompanhado da primeira-dama Janja. Entre os aliados que compareceram estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e sua mulher, Lu Alckmin, além dos ex-ministros Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva.
Também estiveram presentes o advogado Marco Aurélio Carvalho, os deputados André Janones (Rede-MG) e Tabata Amaral (PSB-SP) e o ex-prefeito do Recife João Campos.
O presidente levou mais convidados do que Flávio, mas a limitação de espaço no estúdio impediu a entrada de todos. Apenas integrantes da campanha puderam acompanhar o debate no local, enquanto outros aliados assistiram à transmissão por um telão instalado na área externa.
Apoiadores de Lula e Flávio disputam espaço na rua
A movimentação também ocorreu do lado de fora da emissora. Centenas de apoiadores de Lula, vestidos com camisetas vermelhas e carregando bandeiras, se reuniram na rua a partir das 17h e entoaram cantos críticos a Flávio Bolsonaro.
O grupo também instalou um telão móvel para acompanhar o confronto. A concentração reuniu militantes antes mesmo do início do debate.
Apoiadores de Flávio, vestidos de verde e amarelo, também compareceram ao local, mas em número menor, segundo o relato dos bastidores. A presença dos dois grupos transformou a área externa da Band em mais um espaço de manifestação política durante o primeiro debate do segundo turno.







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