Crise no STF e caso Master podem influenciar voto de 47% dos eleitores, diz Datafolha

Levantamento mostra que 36% atribuem grande peso ao episódio na escolha para presidente; Lula é apontado como possível prejudicado por 38% e Flávio Bolsonaro por 31%

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A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e as investigações relacionadas ao Banco Master entrou no cálculo eleitoral de uma parcela significativa dos brasileiros. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) mostra que 47% dos eleitores afirmam que o episódio terá algum grau de influência na escolha do próximo presidente da República.

Desse grupo, 36% dizem que os acontecimentos terão grande influência na decisão, enquanto 11% apontam impacto pequeno. Outros 49% afirmam que a crise não terá influência sobre o voto e 4% não souberam responder.

O Datafolha ouviu 2.001 eleitores em 125 municípios entre terça-feira (15) e quinta-feira (17). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04029/2026.

Impacto é maior entre eleitores de Flávio Bolsonaro

A percepção sobre os efeitos da crise varia conforme a preferência eleitoral dos entrevistados.

Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, 26% afirmam que o episódio terá grande influência na escolha presidencial. Outros 12% dizem que a influência será pequena, enquanto 58% não esperam impacto sobre o voto.

O quadro muda entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL). Nesse grupo, 45% atribuem grande influência à crise e 9%, pequena. Outros 43% dizem que os acontecimentos não deverão interferir na decisão eleitoral.

Entre os entrevistados que não se identificam nem com Lula nem com o bolsonarismo, 43% afirmam que a crise terá grande peso na escolha, 13% apontam influência pequena e 40% dizem que o caso não afetará o voto.

Os percentuais retratam a percepção dos entrevistados durante o período da pesquisa e não permitem concluir como cada eleitor efetivamente votará.

Lula e Flávio são citados entre possíveis prejudicados

O Datafolha também perguntou quem poderia sofrer prejuízos eleitorais em decorrência da crise.

Lula foi citado por 38% dos entrevistados. Flávio Bolsonaro apareceu em seguida, mencionado por 31%. Outros 5% responderam que todos os candidatos à Presidência poderiam ser prejudicados.

Para 25%, nenhum candidato deverá sofrer impacto eleitoral em razão do episódio.

A pesquisa foi realizada em meio à repercussão das investigações envolvendo o Banco Master e às divergências públicas entre integrantes do Supremo sobre a condução das apurações.

O assunto ganhou espaço na campanha presidencial durante a reta final do primeiro turno. As respostas do Datafolha, porém, medem a percepção dos entrevistados no momento da coleta e não representam uma previsão sobre os efeitos da crise no resultado das urnas.

Desconfiança no STF chega ao maior nível da série

Outro recorte divulgado pelo Datafolha mostra uma deterioração da confiança dos brasileiros no Supremo.

A parcela dos entrevistados que afirma não confiar no STF chegou a 48%, o maior percentual registrado desde o início da série histórica do instituto, em 2012. Em março, eram 43%, o que representa aumento de cinco pontos percentuais.

A desconfiança em relação à Corte também ficou numericamente acima da registrada para outras instituições avaliadas. A Presidência da República é vista com desconfiança por 42% dos entrevistados, enquanto Congresso Nacional e partidos políticos aparecem com 45% cada.

O movimento do STF contrasta com o observado em outras instituições pesquisadas pelo Datafolha, nas quais a desconfiança ficou estável ou apresentou redução em comparação com março.

O levantamento sobre confiança foi realizado no mesmo período, entre 15 e 17 de setembro, com 2.001 entrevistados em 125 municípios e margem de erro de dois pontos percentuais.

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