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Crise entre STF e PF: Fachin entra em campo para conter tensão com Mendonça

Presidente do Supremo atua como interlocutor diante do atrito provocado por decisões de André Mendonça nos casos Master, INSS e Lulinha

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, assumiu papel de interlocutor nas tentativas de reduzir a tensão entre o ministro André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal (PF). O conflito envolve decisões tomadas pelo magistrado na condução de investigações sob sua relatoria, entre elas os casos Master, INSS e Lulinha.

Nos bastidores do Supremo, uma ala da Corte passou a defender um ajuste na relação com a PF. A avaliação desse grupo é que o realinhamento institucional pode ocorrer sem enfraquecer a corporação, deslegitimar suas investigações ou colocar em dúvida a relevância do trabalho realizado pelos investigadores.

Ao mesmo tempo, esses ministros demonstram apoio a Mendonça na condução dos casos que estão sob sua responsabilidade.

Decisões de Mendonça provocam reação

O desgaste aumentou depois que o caso Master avançou sobre o meio político. Mendonça procurou manter a equipe de investigadores responsável por algumas das principais apurações e determinou o envio ao seu gabinete de documentos integrais relacionados às investigações.

A direção da PF interpretou as medidas como uma interferência em sua autonomia. A corporação chegou a indicar que poderia buscar uma reação judicial contra determinações administrativas tomadas pelo relator.

Na avaliação da PF, algumas das decisões representariam uma espécie de microgestão das investigações e ultrapassariam os limites da supervisão judicial.

Foi nesse contexto que a Polícia Federal procurou a Advocacia-Geral da União (AGU) em busca de uma reação institucional às determinações de Mendonça.

Caso Lulinha entra no centro do desgaste

Outro ponto que aumentou o mal-estar foi o desmembramento da investigação envolvendo Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lulinha é suspeito de tráfico de influência por supostamente atuar ao lado da lobista Roberta Luchsinger com o objetivo de fechar contratos públicos. Essa apuração é distinta das fraudes no INSS, que deram origem às investigações.

A PF apresentou justificativa técnica para pedir que as apurações fossem redistribuídas no Supremo. O pedido de abertura de novos casos, porém, foi feito durante um plantão judiciário, circunstância considerada pouco usual por ministros da Corte.

A maneira como a solicitação foi apresentada provocou questionamentos entre magistrados sobre a atuação da corporação. O pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que essas apurações sejam enviadas à primeira instância também contribuiu para o ambiente de tensão.

Entre ministros do Supremo, existe a avaliação de que um ajuste de rota na atuação da PF poderia evitar uma reação mais dura de Mendonça.

Fachin tenta construir saída

Fachin passou a atuar como interlocutor dos diferentes atores envolvidos na crise. Nesta quinta-feira, o presidente do STF recebeu separadamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

As conversas ocorreram enquanto integrantes do governo e do Supremo tentam impedir uma escalada do conflito entre Mendonça e a direção da Polícia Federal.

Segundo auxiliares, Fachin demonstra preocupação com os possíveis efeitos da crise sobre as próprias investigações. A avaliação é que eventuais problemas na atuação da PF devem ser identificados e corrigidos sem que isso sirva para deslegitimar o conjunto do trabalho da instituição ou desviar o foco de apurações relevantes.

O presidente do Supremo também tem ressaltado a importância de a Polícia Federal exercer suas atribuições de acordo com o histórico institucional da corporação.

AGU evita levar disputa à Justiça

Apesar da demanda apresentada pela PF, Jorge Messias tem resistido à possibilidade de transformar o confronto em uma disputa judicial.

A avaliação atribuída a interlocutores do advogado-geral da União é de que um recurso contra decisões de Mendonça poderia abrir espaço para futuros questionamentos de investigados sobre a validade de atos praticados nas apurações.

Por isso, Messias vem priorizando a interlocução política.

No início de agosto, ele intermediou uma reunião entre André Mendonça e Wellington César Lima e Silva. No encontro, o ministro da Justiça afirmou que a autonomia da Polícia Federal seria respeitada e que não haveria interferência no trabalho dos investigadores.

Também foi considerada uma conversa direta entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, mas o encontro não avançou.

Diretor-geral da PF procurou Fachin

Em meio ao impasse, Fachin passou a receber diferentes integrantes envolvidos na crise. Após retornar de férias, Andrei Rodrigues esteve no Supremo e conversou com o presidente da Corte.

Os dois não revelaram detalhes do encontro a interlocutores e classificaram a reunião como institucional.

Nesta quinta-feira, Fachin recebeu separadamente Messias e Wellington. As articulações colocam o presidente do Supremo no centro da tentativa de reconstruir o diálogo e impedir que as divergências entre Mendonça e a cúpula da Polícia Federal avancem para um confronto institucional ainda maior.

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