A CPI das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro se reuniu nesta segunda-feira (25) para mais uma oitiva do colegiado e revelou dados alarmantes sobre a movimentação financeira e a atuação irregular de empresas no setor de recuperação de veículos.
O delegado Mauro César Júnior, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), representando o secretário estadual de Polícia Civil, Felipe Curi, informou que o setor já movimentou aproximadamente R$ 11 milhões em um sistema criminoso identificado pela Operação Torniquete. A investigação apura desmanches de veículos roubados e revelou o possível envolvimento de traficantes com empresas da área.
Segundo o delegado, o esquema funciona a partir do acionamento de associações ou cooperativas pelos donos de veículos roubados. Estas, por sua vez, contratam empresas recuperadoras que pagam pelo resgate e depois são ressarcidas.
“As empresas têm contato com esses crimes para facilitar o resgate em determinados locais. Tecnicamente isso pode ser qualificado como organização criminosa. A investigação não terminou”, afirmou Mauro César.

Estado tem 449 empresas ilegais no setor
Outro ponto de destaque foi a fala do procurador-chefe da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Alexandre Chang, que revelou a dimensão da atuação irregular no setor. Segundo ele, existem cerca de 2,2 mil empresas atuando ilegalmente em todo o Brasil, das quais 449 estariam no Rio de Janeiro.
Chang explicou que essas associações e cooperativas de proteção mutualista sempre funcionaram de maneira informal e só agora, com a Lei Complementar 213, passam por um processo de regularização.
“Estamos numa fase de transição para regularizar as associações e cooperativas. Essa é uma prática ainda a ser regularizada. Seria interessante termos acesso a essas informações dessas pessoas”, disse, acrescentando que essas 449 empresas foram as que procuraram o órgão com a intensão de regularizarem.
O deputado Alan Lopes (PL), integrante da CPI, chamou atenção para a falta de transparência no setor. “Se ninguém sabe quem recupera os veículos, pode ser um esquema gigantesco que fica entre eles mesmo”, alertou, reforçando a solicitação do deputado Alexandre Knoploch (PL) de convocar todas as cooperativas e associações.
Próximos passos
A CPI das Câmeras segue investigando tanto o uso de sistemas de videomonitoramento por empresas privadas e órgãos públicos quanto a atuação dessas cooperativas de recuperação de veículos roubados. Um dos principais alvos é o sistema conhecido como Gabriel, operado pela Gabriel Tecnologia, cujo diretor executivo, Erick Coser, já esteve na comissão em agosto.






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