O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir nesta quarta-feira a Taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. A reunião é a última do colegiado antes das eleições presidenciais de 2026.
A expectativa predominante é de que o corte mantenha o ritmo adotado desde o início do ciclo de redução dos juros, sem que o Banco Central antecipe se haverá nova queda na reunião prevista para novembro.
Segundo levantamento do Valor Pro com 120 instituições financeiras e consultorias, 118 projetam redução de 0,25 ponto percentual. Outras duas esperam que a Selic permaneça em 14%.
Mercado está dividido sobre a reunião de novembro
As projeções para novembro apresentam maior divergência. Das instituições consultadas, 60 esperam pelo menos mais um corte da Selic, enquanto 59 projetam uma pausa no ciclo de redução. Uma instituição não respondeu ao levantamento.
Caso a redução para 13,75% seja confirmada, será o quinto corte da Selic desde março. A taxa também atingirá o menor nível desde março de 2025, quando estava em 13,25%.
Desde o início do processo de redução, o Banco Central tem adotado cortes de 0,25 ponto percentual. Até agora, a Selic caiu 1 ponto percentual, passando de 15% para os atuais 14%.
Banco Central mantém cautela sobre os juros
Nas comunicações anteriores, o Banco Central não antecipou a decisão desta quarta-feira. Na reunião de agosto, o Copom destacou o aumento das incertezas, a distância das expectativas de inflação em relação à meta e os riscos relacionados ao cenário projetado.
A autoridade monetária também afirmou que pretende manter uma restrição considerada adequada na Selic para garantir a convergência da inflação para a meta. Na ata de agosto, o Copom apontou que a inflação continuava pressionada pela demanda, mesmo com os efeitos dos juros elevados sobre o crescimento econômico.
A meta de inflação é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Em agosto, a projeção do Banco Central indicava inflação de 3,2% no primeiro trimestre de 2028.
Atividade econômica e inflação entram no cálculo
Entre os fatores que sustentam a expectativa de corte está a desaceleração da atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre, enquanto o IPCA de agosto registrou variação de -0,32%.
Apesar do resultado da inflação corrente, a inflação de serviços continua sendo acompanhada pelo Banco Central por apresentar maior resistência à queda.
As expectativas de inflação permanecem acima da meta de 3%. Segundo o Boletim Focus, a mediana para 2026 está em 4,90%, enquanto a projeção para 2027 é de 4,30% e, para o fim de 2028, de 3,80%.
Cenário externo também influencia decisão
O ambiente internacional permanece entre os fatores de atenção para a política monetária brasileira. A nova rodada de conflitos no Oriente Médio voltou a pressionar os preços do petróleo, com possíveis impactos sobre a inflação global.
Também está no radar a perspectiva de aumento dos juros nos Estados Unidos e os efeitos que mudanças na política monetária americana podem provocar sobre os mercados.
Para Sérgio Goldenstein, sócio e estrategista-chefe da Eytse Estratégia, o cenário doméstico apresentou melhora desde a reunião anterior do Copom. Ele aponta a composição do PIB do segundo trimestre como um dos elementos considerados mais favoráveis, com participação da agropecuária e recuo do consumo das famílias.
Goldenstein, porém, também cita riscos relacionados aos preços do petróleo, aos juros longos globais, à política monetária dos Estados Unidos, às incertezas fiscais e eleitorais e a uma possível piora das expectativas de inflação.
Decisão de novembro dependerá de novos dados
O economista-chefe da Terra Investimentos, João Maurício Rosal, também espera que a Selic seja reduzida para 13,75% nesta quarta-feira. Para ele, o Banco Central deve preservar uma comunicação cautelosa e manter aberta a possibilidade de novos movimentos.
Rosal, porém, não projeta outro corte em novembro neste momento. Segundo o economista, a decisão dependerá principalmente da evolução da atividade econômica e da reação dos ativos financeiros ao resultado das eleições.
Ele também avalia que a sinalização do próximo presidente sobre a política fiscal poderá influenciar o cenário para a reunião de novembro, que ocorrerá após as eleições americanas.







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