Boletim Focus: mercado prevê novo corte da Selic nesta semana e inflação abaixo de 5%

Analistas consultados pelo BC apontam expectativa de redução dos juros para 13,75% ao ano e projeta IPCA de 4,9% em 2026; previsão de crescimento do PIB recua para 1,89%

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Os economistas consultados pelo Banco Central mantiveram a expectativa de um novo corte na taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana. O mercado prevê redução de 0,25 ponto percentual na Selic, dos atuais 14% para 13,75% ao ano.

Os números aparecem no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (14). A projeção é que esse seja o último corte dos juros em 2026 e que a Selic encerre dezembro em 13,75% ao ano.

Para os anos seguintes, as estimativas permaneceram inalteradas. Os analistas consultados pelo BC projetam juros de 12% ao ano no fim de 2027, 10,5% em 2028 e 10% em 2029.

Inflação volta a ficar abaixo de 5% nas projeções

Outra mudança importante no Focus ocorreu na expectativa para a inflação. A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5% para 4,9% em 2026.

É a primeira vez desde maio que a estimativa para a inflação no encerramento do ano fica abaixo dos 5%. Depois de atingir previsão de 5,33% em junho, as expectativas começaram a recuar gradualmente.

Mesmo com a melhora, a projeção de 4,9% permanece acima do teto do intervalo da meta de inflação. A meta central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece limite superior de 4,5%.

Para 2027, o mercado elevou ligeiramente a previsão do IPCA, de 4,29% para 4,30%. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 3,8% e 3,5%, respectivamente.

Deflação de agosto reforça expectativa de corte

A revisão ocorre após o IPCA registrar queda de 0,32% em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a primeira deflação em um ano e o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado. Em 12 meses, a inflação desacelerou para 4,22%.

A queda dos preços foi influenciada principalmente pela energia elétrica residencial, que recuou com o efeito temporário do Bônus de Itaipu. Também houve redução nos preços de combustíveis, alimentos e passagens aéreas.

O comportamento mais favorável da inflação reforçou as expectativas de que o Copom faça nesta semana mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Analistas, porém, destacam que parte relevante da queda do IPCA de agosto decorreu de fatores temporários, especialmente o desconto na conta de luz.

Previsão para o PIB cai

Enquanto a expectativa para a inflação melhorou, os economistas reduziram a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,93% para 1,89%, menor estimativa desde maio.

Na semana anterior, o Focus havia elevado a projeção de crescimento de 1,92% para 1,93%. A nova rodada, portanto, devolveu a estimativa ao patamar registrado no fim de maio.

Para o câmbio, não houve alteração. O mercado continua projetando o dólar a R$ 5,20 no encerramento de 2026, estimativa que permanece no mesmo nível há 13 semanas.

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