Exportações do Brasil para os EUA caem 9,7% em 2026

Vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto, menor valor para o período desde 2023

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As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 9,7% entre janeiro e agosto de 2026 e somaram US$ 24,1 bilhões. O resultado representa uma perda de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em vendas e levou o comércio brasileiro com o mercado norte-americano ao menor valor para o período desde 2023.

Os dados fazem parte da edição mais recente do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em informações do Comexstat.

Apesar da queda no acumulado do ano, as exportações registraram uma alta de 12,1% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, alcançando US$ 3,2 bilhões. O avanço, porém, ocorreu junto com uma redução de 17,3% na quantidade de produtos embarcados.

Segundo a Amcham Brasil, o crescimento em valor foi influenciado principalmente pela elevação dos preços médios dos produtos exportados. Carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café também apresentaram aumento relevante na quantidade vendida aos Estados Unidos.

Produtos com tarifas mais altas têm maior queda

O desempenho das exportações ocorre em um cenário de tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. Em agosto de 2025, entraram em vigor sobretaxas de 40% e 50% sobre determinados produtos brasileiros impostas pelo governo do presidente Donald Trump .

No acumulado de janeiro a agosto de 2026, os produtos submetidos às sobretaxas de 25% a 37,5% tiveram queda de 29,1% nas vendas aos Estados Unidos. As exportações desse grupo passaram de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões.

Considerando todos os produtos sujeitos a sobretaxas, a retração foi de 11,4%, para US$ 11 bilhões. Já os bens sem sobretaxa tiveram queda de 8,3%, somando US$ 13,1 bilhões.

Entre os dez principais produtos submetidos às tarifas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas exportações. As maiores retrações foram observadas em:

  • madeira de coníferas: -55,3%;
  • fumo não manufaturado: -39,9%;
  • sebo bovino: -39,4%;
  • granitos trabalhados: -37,4%.

Exportações caem em todos os setores

A redução das vendas aos Estados Unidos atingiu os três principais setores da economia brasileira.

Entre janeiro e agosto, as exportações da indústria de transformação para o mercado norte-americano caíram 4,9%. No mesmo período, as vendas desse setor para os demais países cresceram 6,6%.

Na indústria extrativa, a queda para os Estados Unidos foi de 28,9%, enquanto as exportações para o restante do mundo aumentaram 19,6%.

Já a agropecuária registrou retração de 26,7% nas vendas aos norte-americanos, em contraste com uma alta de 9,5% nas exportações para os demais mercados.

A indústria de transformação continua sendo o principal segmento das exportações brasileiras para os Estados Unidos, com participação de 83,3% do total. Mesmo com a queda, o país permanece como o principal destino das exportações industriais brasileiras, respondendo por 15,5% das vendas do setor.

Petróleo tem forte queda nas vendas aos EUA

Entre os principais produtos exportados pelo Brasil, o petróleo apresentou uma das maiores diferenças de desempenho entre os Estados Unidos e o restante do mundo.

Em agosto, as vendas de petróleo para os Estados Unidos caíram 59,2% em valor e 69,9% em quantidade. Para o restante do mundo, porém, houve alta de 18% em valor, apesar de uma redução de 5,5% no volume.

Também registraram queda nas exportações aos Estados Unidos em agosto os combustíveis e o ferro-gusa.

Por outro lado, aeronaves e carne bovina fresca tiveram comportamento diferente: as vendas desses produtos para o mercado mundial recuaram, enquanto cresceram nas exportações para os Estados Unidos.

No acumulado de janeiro a agosto, seis dos dez principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos apresentaram queda. Em quatro deles, o resultado negativo ocorreu mesmo com crescimento das vendas para o restante do mundo.

Entre os produtos estão petróleo bruto, com queda de 31,5% para os EUA; semimanufaturados de ferro ou aço, com recuo de 4,3%; ferro-gusa, com baixa de 8,1%; e celulose, com redução de 1,9%.

Importações dos EUA também caem

As compras brasileiras de produtos norte-americanos também registraram queda no acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, as importações recuaram 8,6% e totalizaram US$ 27,3 bilhões.

Em agosto, porém, houve crescimento de 1,1%, marcando o segundo mês consecutivo de alta após sete meses de retração.

A recuperação foi puxada principalmente pelas compras de combustíveis, medicamentos, petróleo, aeronaves, máquinas de processamento de dados e enxofre.

Como as exportações brasileiras caíram mais do que as importações, o déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos aumentou 0,9%, chegando a US$ 3,2 bilhões.

Comércio bilateral perde US$ 5,2 bilhões

Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, o comércio entre os dois países continua em trajetória de retração.

“O comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias”, afirmou.

Segundo ele, o cenário reforça a necessidade de buscar medidas para reduzir barreiras e fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Principais números de janeiro a agosto de 2026

  • Exportações do Brasil para os EUA: US$ 24,1 bilhões (-9,7%);
  • Importações brasileiras dos EUA: US$ 27,3 bilhões (-8,6%);
  • Déficit comercial brasileiro: US$ 3,2 bilhões;
  • Bens sem sobretaxa: US$ 13,1 bilhões (-8,3%);
  • Bens com sobretaxa: US$ 11 bilhões (-11,4%);
  • Produtos com tarifas de 25% a 37,5%: US$ 3,6 bilhões (-29,1%);
  • Exportações para os EUA em agosto: US$ 3,2 bilhões (+12,1%);
  • Quantidade exportada em agosto: -17,3%.

O Monitor da Amcham considera a estrutura tarifária vigente após medidas relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.

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