COP30 avança em texto-base, mas impasses climáticos seguem travados

Presidência da cúpula apresenta esqueleto do documento final; financiamento, comércio e metas de emissões ainda dividem países.

A COP30 abriu sua segunda semana de negociações com a entrega de um texto preliminar que servirá de esqueleto para a decisão final da conferência. O documento, distribuído na noite de domingo, foi elaborado pela presidência do encontro após consultas intensas sobre os principais pontos de desacordo.

Segundo representantes que acompanharam as reuniões de plenária, o Brasil tenta transformar divergências em oportunidade ao usar as conversas preliminares para montar um texto que reflita áreas de maior consenso.

Presidência destaca “alto grau de convergência”

No preâmbulo, a presidência da COP30 afirma haver significativa convergência entre as contribuições apresentadas pelos países. O texto de cinco páginas reúne propostas sobre a implementação do Acordo de Paris, a aceleração das ações climáticas e a transição do debate para uma nova etapa de execução da agenda global.

A estrutura está dividida em seções que abordam: balanço dos dez anos do Acordo de Paris, orientação política da COP30, urgência climática e caminhos para acelerar ações pré-2030.

Itens críticos ainda sem acordo

Dos quatro temas inicialmente classificados como pontos de conflito, três permanecem sem avanço substancial. Eles aparecem no documento como “opções”, indicando falta de consenso. Entre eles estão:
– implementação do Artigo 9.1 do Acordo de Paris, que prevê apoio financeiro de países ricos aos mais pobres;
– medidas unilaterais de comércio, criticadas por nações em desenvolvimento por criarem barreiras a produtos com alta pegada de carbono;
– possível antecipação da revisão das NDCs, as metas oficiais de redução de emissões.

Transparência tem avanço e deve entrar no texto final

O único ponto que avançou foi o dos relatórios bianuais de transparência (BTRs), ferramenta essencial para monitorar o cumprimento das metas climáticas. A questão caminhou para convergência e deve figurar no texto final da conferência.

Especialistas veem tentativa de formar “decisão de capa”

A criação do texto-base surpreendeu analistas que acompanham a COP30. Para Claudio Angelo, do Observatório do Clima, a Presidência busca construir, por consenso, uma “decisão de capa” — documento político que sintetiza a mensagem final da conferência e orienta seu legado.

Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, avalia que o texto ainda pode mudar bastante ao longo da semana, especialmente porque a COP30 não tem um tema central único, o que torna as negociações mais dinâmicas.

Falta de ambição preocupa sociedade civil

A antecipação das NDCs e a revisão das metas de financiamento — temas considerados fundamentais para conter o aquecimento global — seguem fora da agenda formal, gerando frustração entre ambientalistas. Para especialistas, as promessas nacionais ainda são insuficientes para limitar o aquecimento a 1,5°C.

No financiamento, a meta anual de US$ 300 bilhões está distante do US$ 1,3 trilhão defendido em negociações paralelas. O texto da presidência sugere alternativas, como um plano de resposta à meta de 1,5°C e um plano trianual em Belém para implementar o Artigo 9.1, ampliando recursos e definindo partilha justa de responsabilidades.

Caminhos seguem abertos na reta final da COP30

As negociações continuam a evoluir nesta segunda semana em Belém, com expectativa de que as conversas políticas de alto nível destravem os temas mais sensíveis. Apesar dos impasses, a presidência aposta na construção de um texto de consenso que consolide os avanços possíveis da conferência.

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