Conta de luz: aumento aprovado pela Aneel impacta 50 milhões

Aneel já havia aprovado aumento de 15,46%, para a Enel do Rio de Janeiro, e para a Light de 8,6%.

A conta de luz deve pesar mais no bolso dos brasileiros após a Agência Nacional de Energia Elétrica aprovar reajustes tarifários para oito distribuidoras que atuam em nove estados. A medida pode afetar cerca de 50 milhões de pessoas e já acende alerta sobre os impactos econômicos e políticos da alta nas tarifas.

Segundo a agência, o reajuste médio previsto é de aproximadamente 8%, valor que supera a inflação estimada para o período. No entanto, em alguns casos, o aumento é ainda maior e chega a 18,89%, dependendo da distribuidora e da região atendida.

Aumento desigual nas tarifas

Os percentuais variam conforme a empresa responsável pelo fornecimento. A CPFL Santa Cruz teve o maior reajuste médio, de 18,89%, atendendo municípios em São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Já a CPFL Paulista registrou aumento de 12,13%.

Outras distribuidoras também tiveram reajustes relevantes. No Centro-Oeste, empresas da Energisa em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso tiveram aumentos de 12,1% e 6,86%, respectivamente. No Nordeste, as altas variam entre 5,4% e 6,68%, atingindo estados como Bahia, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte.

Impacto para consumidores

O impacto na conta de luz depende do tipo de consumidor. Residências, que operam em baixa tensão, tendem a sentir aumentos menores em comparação com indústrias, que utilizam alta tensão e podem enfrentar reajustes mais elevados.

“A variação ocorre porque os custos são distribuídos de forma diferente entre os tipos de consumo”, apontam especialistas do setor.

Além disso, algumas distribuidoras adotaram mecanismos para reduzir o impacto imediato, como o diferimento, que permite suavizar o reajuste atual e compensar nos próximos ciclos tarifários.

O que está por trás dos aumentos

De acordo com representantes do setor elétrico, os principais responsáveis pela alta são encargos e subsídios incluídos na tarifa, especialmente ligados à geração distribuída, como o uso de painéis solares.

“O aumento da conta de luz tem sido puxado pela concessão de subsídios a algumas fontes de geração”, afirmou a presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Patricia Audi.

Outro fator relevante envolve recursos do Uso do Bem Público (UBP), provenientes da repactuação dos royalties de usinas hidrelétricas. Parte desses valores foi utilizada para reduzir tarifas em algumas regiões, totalizando cerca de R$ 8,8 bilhões.

Pressão econômica e política

O aumento da conta de luz também tem reflexos no cenário político. O custo da energia é considerado um dos principais fatores que influenciam a percepção da população sobre a economia, especialmente em períodos próximos a eleições.

O governo federal chegou a avaliar a possibilidade de um empréstimo de até R$ 7 bilhões, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para reduzir o impacto dos reajustes, mas a proposta não avançou.

Situação do Rio de Janeiro

No estado do Rio, a alta na conta de luz é puxada principalmente pelas duas maiores distribuidoras: Light e Enel Rio. Em 2026, ambas tiveram reajustes relevantes autorizados pela Aneel.

A Light, que atende a região metropolitana e cerca de 4 milhões de unidades consumidoras, registrou aumento médio de 8,59%, com impacto direto nas contas residenciais e industriais.

O caso da Light virou uma batalha na Justiça após a empresa entender que houve um erro de cálculo da agência e pedir um aumento de 16,7%. A companhia chegou a ser atendida por uma liminar que depois foi derrubada.

Já a Enel Rio, responsável por cerca de 2,7 milhões de unidades em 66 municípios, teve aumento ainda mais expressivo, com efeito médio de 15,46% e alta de 14,07% para consumidores residenciais.

“O impacto é imediato no bolso do consumidor”, avaliam especialistas do setor elétrico.

Histórico recente de reajustes

O cenário atual é resultado de uma sequência de aumentos nos últimos anos. Em 2025, o reajuste da Enel Rio foi praticamente estável, com efeito médio de apenas 0,27%, após variações negativas em algumas faixas de consumo.

Já em 2024, a distribuidora teve aumento médio de cerca de 3,45%.

Em 2023, os reajustes ficaram em torno de 6% a 7% para consumidores residenciais, tanto na Light quanto na Enel.

Se recuar ainda mais, em 2022, aumentos chegaram a mais de 17% em algumas tarifas no estado.

Esse histórico mostra que, mesmo com oscilações, a tendência tem sido de pressão contínua sobre os preços da energia.

O que esperar daqui para frente

A tendência é que os custos da energia continuem sendo pressionados por fatores estruturais, como expansão de fontes renováveis e necessidade de investimentos em infraestrutura.

Com isso, especialistas apontam que os consumidores devem manter atenção aos reajustes e ao consumo de energia, já que novas variações tarifárias podem ocorrer nos próximos anos.


Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading