A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (17), uma redução de 2,52% nas tarifas de energia elétrica para os consumidores residenciais atendidos pela Light, distribuidora que atua na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com exceção de Niterói. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo. A nova tarifa passa a valer a partir de julho, após meses de impasse na agência reguladora sobre o percentual exato de reajuste.
A decisão da diretoria colegiada da Aneel também definiu um efeito médio de -1,67% nas tarifas para todos os consumidores da concessionária, incluindo uma queda de 0,52% para o setor industrial. O processo de revisão tarifária havia sido adiado em março, em razão de divergências entre os diretores quanto à aplicação de um mecanismo que poderia ter proporcionado um alívio ainda maior — de até 13% para os consumidores de baixa tensão, conforme estimativas da própria agência.
O relator do processo, diretor Fernando Mosna, chegou a sugerir uma redução de 2,35% em média para os clientes residenciais e um aumento de 3,8% para os consumidores industriais, como forma de ajustar o impacto financeiro nas contas da distribuidora. Contudo, sua proposta enfrentou resistência dos demais membros da Aneel, sobretudo quanto ao adiamento de medidas que beneficiariam os consumidores em 2025.
Mosna argumentou que uma queda mais expressiva agora poderia ser revertida por um aumento significativo no ano seguinte. “Há uma expectativa de alta de 9,94% em 2026. Moderação neste momento nos permite evitar oscilações bruscas para o consumidor final”, justificou o diretor.
Light atende a quatro milhões de consumidores no Grande Rio
Apesar disso, outras diretoras da agência, como Agnes Costa e Ludimila Lima da Silva, defenderam que o benefício imediato para os consumidores não deveria ser postergado, em especial diante da grave situação financeira da empresa, que está em processo de recuperação judicial.
O reajuste tarifário é anual e reflete os custos da distribuidora com compra e transmissão de energia, perdas técnicas e comerciais — como os furtos de energia, os chamados “gatos” —, além da inflação. No caso da Light, os furtos têm impacto elevado sobre as tarifas e parte desse prejuízo é repassado aos demais consumidores.
A Light atende cerca de quatro milhões de unidades consumidoras no Rio de Janeiro, incluindo a capital e municípios vizinhos da Baixada Fluminense. A companhia tenta reestruturar suas dívidas na Justiça desde maio de 2023, o que também influencia os debates sobre sua capacidade de investimentos e equilíbrio financeiro.





