O Consórcio Nova Via Mobilidade foi declarado vencedor do leilão judicial que definiu o novo operador do sistema de trens urbanos que conecta o Rio de Janeiro a outros 11 municípios da Região Metropolitana. A decisão foi proferida nesta quarta-feira pelo juiz Victor Agustin Cunha Diz Torres, da 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, que validou a documentação apresentada pelo grupo.
Com a confirmação do resultado, a empresa deverá assinar contrato com o governo do estado nos próximos dias. A previsão é que, em meados de março, tenha início um período de gestão assistida ao lado da SuperVia, atual concessionária do serviço. A transição terá duração de 90 dias, ao fim dos quais a SuperVia deixará a operação.
O sistema ferroviário transporta diariamente cerca de 300 mil passageiros, distribuídos em cinco ramais e três extensões, que somam 270 quilômetros de trilhos e 104 estações. As reportagem é do jornal O Globo.
Segurança como prioridade e proposta de guarda ferroviária
Após a audiência na 6ª Vara Empresarial, o vice-presidente de relações institucionais e governamentais do consórcio, Michel Michalur Filho, afirmou que a meta inicial será elevar o padrão do serviço prestado aos usuários, com foco especial na segurança.
Atualmente, mais de 11 estações operam sob influência do tráfico, e a malha ferroviária cruza áreas próximas a 179 comunidades controladas por grupos criminosos. O policiamento é feito por agentes do Grupamento de Policiamento Ferroviário da Polícia Militar.
Dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transporte mostram que, apenas nos dez primeiros meses do ano passado, 682 viagens foram canceladas ou interrompidas por motivos ligados à violência, como tiroteios, furtos de cabos e vandalismo. A média foi de duas ocorrências por dia.
Diante desse cenário, Michalur defendeu a criação de uma guarda ferroviária, com custos compartilhados entre o governo estadual e prefeituras dos municípios atendidos pelo sistema.
“A segurança é realmente uma prioridade, trabalhando com o governo estadual, o governo municipal, trazendo, inclusive, a guarda ferroviária. Voltar com essa guarda ferroviária que já existiu (nos anos 70) é uma ação muito importante. Daria muito mais segurança para o processo”, disse o vice-presidente.
O executivo não detalhou quando o grupo português Barraqueiro, que deverá ser subcontratado para operar o sistema, iniciará suas atividades no estado. A empresa é a maior operadora privada de transportes em Portugal e também atua em Angola e no Brasil, onde mantém concessões de ônibus nas regiões Norte e Nordeste.
Expectativa de melhoria operacional
A secretária estadual de Transportes, Priscila Sakalem, também acompanhou a audiência e afirmou que o governo espera avanços concretos na qualidade do transporte ferroviário.
Entre as metas mencionadas estão a redução dos intervalos entre trens, aumento da velocidade média das composições e eventuais ajustes na grade horária.
“Temos um diagnóstico da ferrovia e a gente já sabe o que precisa ser feito quando o novo operador entrar. A ideia é a de que, se o usuário perceber a troca de operadora, será porque o serviço melhorou. Que ele perceba a melhora dos serviços. Como diminuição de intervalo entre as composições, aumento da velocidade para diminuir o tempo das viagens e modificações na grade horária dos trens, caso isso seja necessário”, disse.
A secretária destacou que o estado já possui um levantamento técnico das principais falhas do sistema, o que deve orientar as primeiras intervenções da nova gestão.
Desafios estruturais e evasão de receita
Além da segurança, o sistema enfrenta limitações estruturais. A frota atual é composta por 151 trens e 604 vagões, incluindo composições da década de 1960. Locomotivas movidas a diesel ainda operam nos ramais Vila Inhomirim e Guapimirim.
Outro desafio é a evasão de receita. Segundo balanço divulgado no ano passado pela SuperVia, cerca de 18 mil passageiros utilizam diariamente o sistema sem pagar passagem. A estação Padre Miguel lidera o índice de evasão, de acordo com estatísticas da concessionária.
A nova permissionária assumirá a operação em um ambiente marcado por alta demanda, restrições orçamentárias, problemas de segurança pública e necessidade de modernização da infraestrutura. O período de transição deverá indicar como o consórcio pretende transformar as propostas anunciadas em medidas concretas para os usuários.






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