Conselho Estadual de Educação entra na mira de fiscalização da Alerj

Deputada solicita dados desde 2020 e cobra explicações sobre processos antigos, distribuição de relatorias e critérios de análise

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

O tempo de espera para a análise de processos no Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro (CEE-RJ) entrou na mira da fiscalização da Assembleia Legislativa (Alerj). Segunda vice-presidente da Casa, a deputada estadual Tia Ju (Republicanos) apresentou um requerimento de informações à Secretaria de Estado de Educação sobre o funcionamento do órgão.

A iniciativa busca esclarecer desde a composição e a estrutura administrativa do Conselho até os critérios adotados para distribuir e analisar processos. A parlamentar também quer explicações sobre eventuais diferenças no tempo de tramitação de casos semelhantes e informações sobre processos que permanecem pendentes há anos.

Critérios de análise

O requerimento solicita documentos relacionados aos mandatos e às reconduções dos dirigentes, à distribuição das relatorias, à composição das câmaras e à convocação de conselheiros ad hoc. Também são cobradas informações sobre impedimentos e suspeições, inspeções e critérios utilizados para estabelecer prioridades.

Tia Ju afirmou que o pedido não representa uma conclusão antecipada sobre a atuação do Conselho nem uma tentativa de interferir nas decisões técnicas do órgão.

“Autonomia não significa ausência de fiscalização. O Conselho deve ter liberdade para exercer suas atribuições técnicas, mas, como qualquer órgão público, precisa prestar contas de seus atos e demonstrar que suas decisões seguem critérios objetivos e transparentes”, afirmou.

Processos desde 2020

Um dos principais pontos do requerimento é a solicitação de uma base de dados sobre os processos protocolados no CEE-RJ desde 2020. A deputada pede informações sobre datas de entrada, movimentações, diligências, responsáveis pelas relatorias, decisões, homologações e o tempo total de tramitação.

Nos casos de processos mais antigos que ainda estejam sem conclusão, a solicitação prevê que o levantamento retroaja até a data original do protocolo.

A parlamentar quer identificar, entre outros pontos, as razões para diferenças nos prazos de análise. “Precisamos saber por que determinados processos avançam rapidamente enquanto outros aguardam anos por uma resposta”, declarou.

Impacto na educação

O CEE-RJ exerce funções que alcançam diferentes áreas do sistema educacional fluminense. Entre suas atribuições estão decisões relacionadas ao credenciamento de instituições, autorização e reconhecimento de cursos, Educação de Jovens e Adultos (EJA), educação profissional e ensino a distância.

Segundo Tia Ju, a duração e o resultado desses processos têm impacto sobre estudantes, professores, famílias, profissionais e instituições de ensino. “Estamos tratando de decisões que interferem diretamente nos destinos da educação do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou.

A deputada também defendeu a fiscalização como instrumento de acompanhamento da administração pública. “Fiscalizar não é perseguir: é proteger os estudantes, garantir segurança jurídica às instituições sérias e defender o interesse público”, acrescentou.

Transparência das respostas

Além dos processos administrativos, o requerimento aborda a publicidade das reuniões do Conselho, prestação de contas e mecanismos destinados à prevenção de conflitos de interesses.

Tia Ju pediu que o documento seja publicado no Diário Oficial para permitir o acompanhamento das solicitações e das respostas pela sociedade. A Secretaria de Educação também é cobrada para apresentar informações completas e acompanhadas da documentação correspondente dentro dos prazos previstos.

O requerimento prevê ainda a preservação dos dados pessoais protegidos, sem restringir o acesso às informações de caráter público. Se algum conteúdo solicitado não for fornecido, a Secretaria deverá apresentar a justificativa legal para a negativa, indicar o responsável pela decisão e esclarecer os meios disponíveis para contestá-la.

A deputada afirmou que acompanhará a tramitação do pedido e as respostas encaminhadas pela Secretaria, mantendo a fiscalização sobre o funcionamento do Conselho sem interferir em sua autonomia técnica.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo