A cientista brasileira Mariangela Hungria foi incluída, nesta quarta-feira (15), na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026, divulgada pela revista Time. Pesquisadora da Embrapa há mais de quatro décadas, ela é referência internacional em microbiologia do solo e no desenvolvimento de soluções biológicas para a agricultura.
Radicada em Londrina (PR) há mais de 30 anos, Hungria construiu uma trajetória marcada por inovação. Seu trabalho é voltado à criação de microrganismos capazes de fixar o nitrogênio do ar, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos — uma tecnologia que gera economia anual de cerca de US$ 25 bilhões ao Brasil.
Inovação que transformou o campo
A principal contribuição da pesquisadora está na chamada fixação biológica do nitrogênio, que permite substituir insumos sintéticos por alternativas mais sustentáveis. A tecnologia já é utilizada em cerca de 85% da área de soja cultivada no país.
Além de reduzir custos para produtores, a prática tem impacto ambiental relevante, com diminuição significativa das emissões de gases de efeito estufa — estimada em 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por safra.
Reconhecimento internacional
Em 2025, Hungria se tornou a primeira brasileira a receber o World Food Prize, considerado o “Nobel” da Agricultura. A premiação reconheceu sua contribuição para a segurança alimentar global e o avanço de práticas agrícolas mais sustentáveis.
Em entrevista ao Estadão, a cientista destacou os desafios enfrentados ao longo da carreira. “Sempre lutei em um país onde o financiamento para pesquisa é irregular, defendendo os insumos biológicos numa época dominada pelos químicos”, afirmou.
Impacto global e defesa da sustentabilidade
As tecnologias desenvolvidas por Hungria ultrapassaram as fronteiras do Brasil e já são adotadas em diversos países. Seu trabalho contribui para a redução da dependência de fertilizantes sintéticos e para a promoção de uma agricultura mais equilibrada ambientalmente.
Além da pesquisa, ela atua na promoção da segurança alimentar e nutricional. Na Academia Brasileira de Ciências, coordena iniciativas voltadas ao tema e defende uma abordagem interdisciplinar para combater a fome.
Valorização das mulheres na agricultura
A cientista também destaca o papel das mulheres na produção de alimentos, especialmente em hortas comunitárias e na preservação de saberes tradicionais. “São elas que, muitas vezes, sustentam a base da agricultura e mantêm vivas práticas essenciais”, afirma.
Formada em Engenharia Agronômica pela USP, Hungria construiu uma carreira dedicada ao estudo do solo e ao desenvolvimento de soluções inovadoras, consolidando-se como um dos principais nomes da ciência brasileira contemporânea.






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