A criação da comissão especial para promover cortes de gastos e discutir medidas de equilíbrio fiscal na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) provocou um bate-boca entre integrantes da mesa diretora no início da manhã desta quarta-feira (13).
A discussão ocorreu no grupo de WhatsApp dos deputados estaduais e envolveu o presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), o primeiro-secretário Rosenverg Reis (MDB) e o deputado Márcio Gualberto (PL).
A confusão começou após Rosenverg Reis compartilhar uma reportagem sobre a criação do colegiado, anunciada durante a reunião do colégio de líderes realizada nesta terça-feira (12). A decisão da mesa diretora, no entanto, havia sido tomada antes do encontro com os parlamentares.
O deputado, irmão do presidente regional do MDB, Washington Reis, e de Jane Reis, pré-candidata a vice-governadora na chapa do prefeito Eduardo Paes (PSD), reagiu ao cunho político da publicação e afirmou: “Não conta com a minha assinatura!!!!!!”.
Questionado pelo presidente da Alerj, o deputado reforçou a crítica e afirmou que a comissão não poderia ser usada para “palanque”. No início da tarde, Ruas apresentou, em coletiva à imprensa, a composição da comissão.
Bastidores da comissão
Na sequência, Ruas respondeu que a criação da comissão havia sido aprovada na reunião da mesa diretora realizada no dia anterior.
“Deputado Rosenverg Reis, o senhor juntamente com todos da mesa que estavam presentes na reunião de ontem aprovou a criação da comissão; lembrando que não foi colhido assinatura, e sim perguntado ‘todos aprovam?’, e se fez constar em ata”, escreveu o presidente da Casa.
Ruas também afirmou que o objetivo do colegiado é discutir mudanças estruturais para enfrentar o déficit nas contas públicas estaduais.
“Em relação à matéria compartilhada pelo senhor, esse não será o direcionamento dado à comissão e o conteúdo não tem relação com a nota oficial emitida pela Alerj. O objetivo do colegiado é discutir mudanças estruturais capazes de enfrentar o déficit registrado no orçamento estadual nos últimos três anos e também previsto na LDO já encaminhada à Casa para o exercício de 2027”, afirmou.
Críticas e reação
Rosenverg Reis voltou a contestar o tom político dado ao debate e elevou o nível da discussão ao advertir: “Não para fazer palanque!! Essa Casa não aguenta um dia de fiscalização de outros órgãos ou poder.”
A declaração provocou reação imediata do deputado Márcio Gualberto (PL), que criticou a generalização feita pelo parlamentar do MDB e afirmou que o comentário colocava os 70 deputados “sob suspeita”.
“Nesse exato momento, o senhor colocou 70 deputados sob suspeita. E colocou-nos de cócoras diante de outros poderes e órgãos”, escreveu Gualberto.
O deputado do PL também rebateu a fala sobre fiscalização e citou a Prefeitura de Duque de Caxias, comandada por Netinho Reis, sobrinho de Rosenverg.
“Tenho absoluta certeza que se trocássemos o termo ‘essa Casa’ por Prefeitura de Caxias, dando a entender que não aguentaria ‘um dia de fiscalização de outros órgãos ou poder’, o senhor faria uma defesa apaixonada e fundamentada”, declarou.
Troca de acusações
Após a manifestação de Gualberto, Rosenverg voltou a afirmar que sua crítica era direcionada à forma como a comissão vinha sendo apresentada politicamente.
“Estou falando da matéria que o senhor jogou para plateia. Não coloca palavras na minha boca, presidente. Estamos vivendo dias maus no parlamento. Encerro aqui”, escreveu.
Ruas respondeu dizendo que a acusação era “leviana” e voltou a defender a proposta da comissão.
“Quando o senhor afirma que essa Casa não aguenta um dia de fiscalização, o senhor generaliza a conduta de todos deputados. Lembro aqui que o ordenamento jurídico brasileiro determina que as condutas devem ser individualizadas”, afirmou.
O presidente da Assembleia ainda orientou Rosenverg a formalizar qualquer mudança de posicionamento por meio de ofício encaminhado à Mesa Diretora.
Desfecho da discussão
Nos momentos finais da troca de mensagens, Rosenverg Reis recusou a sugestão de encaminhar ofício e encerrou a conversa com a frase: “Boa sorte para o senhor!!”. Ruas respondeu em tom conciliador: “Obrigado! Que DEUS o abençoe!”.
A comissão especial para discutir cortes de gastos foi apresentada pela direção da Alerj como uma tentativa de buscar medidas de equilíbrio fiscal diante do cenário de déficit apontado nas contas do estado e nas projeções da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027.






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