Com 234 milhões de bovinos, Brasil tem quase 10% mais gado do que pessoas, diz IBGE

Embora ainda numeroso, rebanho bovino recua pelo segundo ano seguido, enquanto produção de ovos, leite e mel alcança níveis recordes, segundo levantamento do IBGE

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O Brasil encerrou 2025 com 234,3 milhões de bovinos, quantidade 9,8% superior ao número de habitantes do país. Apesar da diferença, o rebanho diminuiu 1,7% em relação a 2024 e registrou o segundo ano consecutivo de queda, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população brasileira era estimada em 213,4 milhões de pessoas em 1º de julho de 2025. O país mantém mais bovinos do que habitantes de forma ininterrupta desde 2002.

A redução do rebanho ocorreu em meio ao aumento dos abates. Em 2025, aproximadamente 43 milhões de bovinos foram abatidos sob inspeção sanitária, o maior volume da série histórica.

“Estamos num ciclo de pecuária em que está tendo um abate forte, inclusive de fêmeas. Isso tem sido observado desde 2024. Resultou na menor capacidade reprodutiva e, como reflexo direto, na redução do rebanho em 2025”, disse o pesquisador Octavio Costa de Oliveira, do IBGE.

Rebanho recua pelo segundo ano

A redução de 1,7% representa uma aceleração em relação a 2024, quando o número de bovinos havia diminuído 0,2%. O recorde da série iniciada em 1974 foi registrado em 2023, com 238,6 milhões de animais.

Segundo o IBGE, o aumento dos abates ocorreu em um período favorável para a pecuária tanto do ponto de vista climático quanto de mercado.

As exportações brasileiras de carne bovina in natura também alcançaram nível recorde em 2025. Naquele ano, além de ocupar a liderança mundial das exportações, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos na produção de carne bovina.

Mato Grosso continuou concentrando o maior rebanho do país, com 31,6 milhões de cabeças, equivalentes a 13,5% do total. Pará, com 25,6 milhões, e Goiás, com 22,5 milhões, aparecem na sequência.

Entre os municípios, São Félix do Xingu, no Pará, permaneceu na primeira posição. A cidade tinha 2,7 milhões de bovinos no fim de 2025, quantidade equivalente a 1,2% de todo o rebanho nacional.

Galináceos e produção de ovos batem recordes

Enquanto o número de bovinos diminuiu, a quantidade de galináceos aumentou 1,6% e chegou a 1,6 bilhão de animais. A categoria engloba frangos de corte, galinhas produtoras de ovos, galos, pintos e pintainhas.

O resultado representa um novo recorde da PPM. Caprinos e ovinos também atingiram as maiores quantidades já registradas pela pesquisa, com 13,5 milhões e 22,3 milhões de animais, respectivamente.

A produção brasileira de ovos de galinha, por sua vez, manteve uma trajetória de crescimento observada desde 1999. O volume avançou 5,7% em 2025 e chegou ao recorde de 5,7 bilhões de dúzias.

Octavio Costa de Oliveira indicou que o ovo, por representar uma fonte de proteína geralmente mais barata, pode substituir a carne bovina em momentos de pressão sobre os preços dos alimentos. O pesquisador também relacionou o avanço à procura por alimentação considerada saudável e à demanda da indústria alimentícia.

Em um cálculo hipotético, caso toda a produção de 2025 fosse dividida igualmente entre os habitantes do país, cada brasileiro receberia aproximadamente 323 ovos.

São Paulo liderou a produção, com quase 1,3 bilhão de dúzias, ou 22,5% do total nacional. Minas Gerais produziu 553,2 milhões de dúzias, enquanto o Paraná chegou a 535,7 milhões.

Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Espírito Santo, continuou como maior produtora municipal, com 352,5 milhões de dúzias, correspondentes a 6,1% do total brasileiro. Bastos, em São Paulo, apareceu depois, com 280,1 milhões.

O desempenho da cidade capixaba está associado a fatores como investimentos em tecnologia, condições de clima e relevo e proximidade de grandes mercados consumidores com menor tradição na avicultura, entre eles o Rio de Janeiro.

Brasil produz mais leite com menos vacas

A produção de leite também renovou seu recorde em 2025. Foram 36,7 bilhões de litros, alta de 2,7% na comparação anual.

O avanço ocorreu apesar de o número de vacas ordenhadas ter caído para 14,7 milhões de cabeças, menor contingente desde 1978, quando havia 14,2 milhões.

A combinação entre aumento da produção e redução do número de animais evidencia um ganho de produtividade. O indicador avançou 5,6%, chegando a quase 2.499 litros por vaca ao longo do ano.

Segundo o IBGE, o movimento está relacionado aos investimentos em tecnologia e melhoramento genético realizados pelos produtores que permaneceram na atividade. A diminuição do plantel também estaria ligada à saída de pecuaristas menos especializados ou com menor disponibilidade de recursos financeiros.

Minas Gerais permaneceu na liderança nacional, com 10,1 bilhões de litros, correspondentes a 27,5% da produção. Paraná, com 4,8 bilhões, e Rio Grande do Sul, com 4,2 bilhões, vieram na sequência.

Entre os municípios, Castro, no Paraná, destacou-se com uma produção de 532,8 milhões de litros, equivalente a 1,5% do volume nacional.

Produção de mel chega à máxima histórica

Outro produto que alcançou recorde em 2025 foi o mel. A produção brasileira atingiu 71,3 mil toneladas, crescimento de 4,5% em relação ao ano anterior.

“O avanço da produção de mel é sustentado tanto pelas condições climáticas favoráveis, que garantem oferta de recursos alimentares para as abelhas, quanto pela crescente demanda por produtos naturais e saudáveis, em nível nacional e internacional”, aponta a PPM.

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