Em uma decisão que marca um gesto simbólico de reparação histórica, o Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino mais tradicionais do país, realiza nesta quarta-feira (16) uma sessão solene e uma reunião extraordinária de seu Conselho Superior (Consup) para deliberar sobre a revogação de homenagens concedidas a autoridades da ditadura militar. A informação é de Ancelmo Gois, de O Globo.
O encontro ocorre às 14h no Teatro Libânio Guedes, no Campus II da escola, na Tijuca, e será aberto ao público. Em pauta, está a anulação de títulos de bacharel honoris causa que foram conferidos, durante os anos de chumbo, a quatro figuras diretamente ligadas ao regime militar:
Emílio Garrastazu Médici, presidente do Brasil entre 1969 e 1974, período marcado por intensa repressão política;
João Baptista Figueiredo, último general-presidente do ciclo autoritário, no cargo de 1979 a 1985;
Jarbas Passarinho, que ocupou os ministérios da Educação e do Trabalho durante o regime;
Paulo de Tarso de Morais Dutra, ex-ministro da Educação na ditadura.
Além da revogação das honrarias, o Conselho votará a mudança do nome do prédio da Reitoria da instituição, que deixará de homenagear uma autoridade militar para se chamar Pavilhão Lincoln Bicalho Roque. Lincoln foi ex-aluno do Pedro II e militante de esquerda assassinado em 1973 pelos órgãos de repressão da ditadura.
A proposta de renomeação e revogação das homenagens faz parte de um movimento crescente em instituições públicas de ensino, que vêm promovendo ações para revisitar criticamente o legado autoritário no ambiente educacional brasileiro. O objetivo é reconhecer os abusos cometidos durante o regime e resgatar a memória de vítimas da repressão, especialmente aquelas ligadas à comunidade escolar.
Com essa iniciativa, o Pedro II se soma a outras instituições acadêmicas que vêm reavaliando homenagens a nomes associados a períodos de exceção, reforçando o compromisso com os valores democráticos e a preservação da memória histórica.






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