Cineastas escolhem os 50 melhores filmes brasileiros do século XXI; veja lista

Realizadores consagrados e novos talentos elegeram as obras mais marcantes do cinema nacional dos últimos 25 anos

Em meio a um período de grande prestígio internacional para o cinema brasileiro, com prêmios no Oscar, Globo de Ouro, Cannes, Berlim e Veneza, o jornal O Globo decidiu celebrar seu centenário com uma homenagem ao audiovisual nacional: a eleição dos 50 melhores filmes brasileiros do século XXI. Para isso, convidou 117 cineastas de diferentes gerações e estilos para escolherem seus dez longas nacionais favoritos lançados entre janeiro de 2000 e junho de 2025.

A missão não foi simples. Segundo o site Filme B, 2.579 longas-metragens brasileiros chegaram às salas de cinema nesse período, tornando a seleção um exercício de memória, sensibilidade e resistência. Entre os votantes estavam nomes como Fernando Meirelles, Anna Muylaert, Heitor Dhalia, Petra Costa, Lázaro Ramos, Leandra Leal, Karim Aïnouz, Jorge Furtado, Walter Carvalho, Yasmin Thayná e Antonio Pitanga.

Cidade de Deus no topo e orgulho nacional

O filme mais citado — presente em mais da metade das listas — foi Cidade de Deus (2002), dirigido por Fernando Meirelles e codirigido por Kátia Lund. Indicado a quatro Oscars e cultuado internacionalmente, o longa consolidou o nome de vários profissionais do cinema brasileiro, como o roteirista Bráulio Mantovani, o montador Daniel Rezende, o diretor de fotografia César Charlone e os atores Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino, Douglas Silva, Roberta Rodrigues, Alice Braga e Seu Jorge.

A segunda posição ficou com Ainda estou aqui (2023), de Walter Salles. Estrelado por Fernanda Torres e baseado em livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme se tornou o maior sucesso de bilheteria do país no pós-pandemia, com 5,8 milhões de espectadores.

Diversidade de gêneros, estilos e origens

A lista revela a diversidade do cinema brasileiro nas últimas duas décadas e meia. De comédias populares como O auto da compadecida (2000) e Saneamento básico, o filme (2007), a obras autorais como Que horas ela volta? (2015), de Anna Muylaert, e Marte um (2022), de Gabriel Martins. Documentários como Serras da desordem (2006) e Martírio (2016) também têm presença significativa, assim como os filmes de Eduardo Coutinho — único com dois títulos no top 10: Edifício Master (2002) e Jogo de cena (2007).

Karim Aïnouz é o realizador com mais filmes no top 50: Madame Satã (2002), O céu de Suely (2006), A vida invisível (2019) e Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), codirigido com Marcelo Gomes. Outros nomes com mais de uma menção são Kleber Mendonça Filho (O som ao redor, Aquarius, Bacurau), Walter Salles (Ainda estou aqui, Abril despedaçado), Adirley Queirós, José Padilha, André Novais Oliveira e a dupla Juliana Rojas e Marco Dutra.

O ano de 2007 foi o mais representado, com seis filmes na lista. A produção mais recente a figurar entre os 50 escolhidos foi Homem com H (2025), cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho.

Espelho da sociedade e seus desafios

Apesar da celebração, a seleção também escancara desafios históricos. Apenas 13 dos filmes foram dirigidos por mulheres, e apenas um — Marte um — é dirigido por um realizador negro entre os dez primeiros. Mulheres assinaram 26% dos filmes da lista, e diretores negros foram responsáveis por apenas 8%. No grupo de votantes, mulheres representaram cerca de 40% e negros, 12%.

Outro dado relevante é a descentralização geográfica do cinema brasileiro. Embora São Paulo concentre o maior número de diretores na lista (11), há forte presença de cineastas de Pernambuco (8), Minas Gerais (6), Rio de Janeiro (6), Ceará (3), Distrito Federal (3), além de representantes de Goiás, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul.

Veja, abaixo, o top 10 da lista e não deixe de assistir e prestigiar o cinema nacional. Conheça a lista completa dos filmes neste link.

Top 10 do século XXI

  1. ‘Cidade de Deus’ — Fernando Meirelles (2002)
  2. ‘Ainda estou aqui’ — Walter Salles (2024)
  3. ‘O som ao redor’ — Kleber Mendonça Filho (2012)
  4. ‘Que horas ela volta?’ — Anna Muylaert (2015)
  5. ‘Edifício Master’ — Eduardo Coutinho (2002)
  6. ‘Madame Satã’ — Karim Aïnouz (2002)
  7. ‘Jogo de cena’ — Eduardo Coutinho (2007)
  8. ‘Cinema, aspirinas e urubus’ — Marcelo Gomes (2005)
  9. ‘Marte um’ — Gabriel Martins (2022)
  10. ‘Bicho de sete cabeças’ — Laís Bodanzky (2000)

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