A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou nesta terça-feira (17) a concessão da Medalha Tiradentes, sua maior honraria, ao cineasta Cacá Diegues, falecido em fevereiro de 2025 aos 84 anos. A informação é do blog de Ancelmo Gois, do jornal O Globo. A comenda será entregue postumamente à família do diretor, que foi um dos pilares do Cinema Novo e um dos mais expressivos pensadores da cultura brasileira ao longo do século XX e início do XXI.
A homenagem, proposta pela deputada estadual Dani Balbi (PCdoB), reconhece não apenas a extensa obra cinematográfica de Diegues, mas também sua atuação como intelectual público, membro da Academia Brasileira de Letras e defensor da diversidade, da democracia e da identidade cultural do Brasil. “Cacá Diegues fez do cinema uma trincheira de ideias, de beleza e de coragem. Sua obra foi revolucionária porque ousou mostrar o Brasil profundo, o povo negro, o sertão, a cultura popular — sempre com dignidade, afeto e senso crítico”, afirmou a parlamentar durante a sessão.
A trajetória de Cacá Diegues é marcada por mais de 20 filmes que exploraram temas sociais e políticos com olhar crítico e sensível. Obras como Xica da Silva (1976), Bye Bye Brasil (1979), Quilombo (1984) e Deus é Brasileiro (2003) se tornaram marcos da cinematografia nacional ao retratar a complexidade da identidade brasileira, frequentemente ignorada pelas grandes narrativas oficiais.
Além do impacto artístico, Diegues foi uma figura de destaque nos debates culturais do país, levando suas ideias a fóruns internacionais e defendendo o papel do cinema como ferramenta de transformação e afirmação nacional. Como um dos fundadores do movimento Cinema Novo — ao lado de nomes como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Joaquim Pedro de Andrade —, ele contribuiu decisivamente para uma mudança estética e ideológica no audiovisual brasileiro, nos anos 1960.
A data da cerimônia de entrega da Medalha Tiradentes à família de Cacá Diegues ainda será definida pela Alerj.





