Cidades-pêndulo mudam de lado e ajudam Flávio Bolsonaro a superar Lula em 2026

Senador do PL venceu em 865 dos 1.091 municípios classificados como cidades-pêndulo; mudança no comportamento eleitoral contribuiu para uma vantagem nacional de 2,23 milhões de votos no primeiro turno.

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A eleição presidencial de 2026 registrou uma mudança no mapa eleitoral brasileiro. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com uma vantagem de 2,23 milhões de votos. O resultado representa uma inversão em relação a 2022, quando o petista havia superado Jair Bolsonaro por 6,17 milhões de votos na primeira etapa da disputa.

A mudança corresponde a um deslocamento líquido de 8,40 milhões de votos em direção ao candidato do PL na comparação entre as duas eleições. Entre os fatores que contribuíram para o resultado estão a redução das margens de Lula em municípios de sua base tradicional, o avanço da direita em áreas conservadoras e a mudança de preferência nas chamadas cidades-pêndulo.

O levantamento mostra que esses municípios tiveram papel importante na alteração do equilíbrio eleitoral. As 1.091 cidades classificadas nesse grupo reúnem cerca de 25 milhões de votos válidos, aproximadamente um quinto do total nacional.

Flávio vence em quase 80% das cidades pêndulo

Em 2022, Lula venceu em 592 dos 1.091 municípios desse grupo, o equivalente a 54,26%. Jair Bolsonaro ficou à frente em 499 cidades, ou 45,74%.

Quatro anos depois, o cenário se inverteu. Flávio Bolsonaro venceu em 865 municípios, correspondentes a 79,38% das cidades pêndulo. Lula manteve a liderança em 225 localidades, ou 20,62%.

A mudança inclui 367 municípios que haviam dado vitória a Lula no primeiro turno de 2022 e passaram a favorecer o candidato do PL em 2026. O movimento evidencia a alteração do comportamento eleitoral em uma parcela relevante do território brasileiro.

Vantagem do PL chega a 886 mil votos nesse grupo

A mudança também aparece no total de votos recebidos pelos candidatos. Em 2022, Lula obteve 12,14 milhões de votos nas cidades pêndulo, equivalentes a 47,26% dos votos válidos desse segmento. Jair Bolsonaro recebeu 10,95 milhões, ou 42,59%, enquanto os demais candidatos somaram 2,61 milhões, correspondentes a 10,15%.

Na eleição de 2026, Flávio Bolsonaro alcançou 11,97 milhões de votos nesses municípios, com 47,32% do total. Lula recebeu 11,08 milhões, ou 43,82%, enquanto os outros candidatos somaram 2,24 milhões, equivalentes a 8,86%.

O resultado deu ao senador uma vantagem de aproximadamente 886 mil votos sobre o petista nesse conjunto de cidades. Na comparação com 2022, a alteração do saldo eleitoral foi de cerca de 2,09 milhões de votos em favor do candidato do PL.

Redutos do PT também registram redução da vantagem

A mudança nas cidades pêndulo ocorreu ao mesmo tempo que a vantagem petista diminuiu em municípios historicamente favoráveis ao partido.

Nas 1.489 cidades em que o PT venceu todas as seis eleições presidenciais consideradas no levantamento, realizadas entre 2002 e 2022, a vantagem de Lula sobre a oposição caiu de 9,88 milhões para 8,24 milhões de votos. A redução foi de 1,64 milhão.

Nas outras 1.409 cidades de predominância petista, mas com oscilações eleitorais ao longo do período, o saldo favorável ao presidente recuou de 3,88 milhões para 2,29 milhões de votos, uma diminuição de 1,60 milhão.

Somadas, as duas categorias registraram uma redução de 3,24 milhões de votos na vantagem do PT. Esse movimento contribuiu para diminuir a distância entre as bases eleitorais dos dois campos políticos.

Cidades conservadoras ampliam vantagem da direita

Enquanto o PT perdeu parte de sua vantagem em redutos tradicionais, o campo conservador ampliou a margem em municípios alinhados à direita.

Nas 1.028 cidades classificadas como de dominância da direita, a vantagem do PL passou de 7,04 milhões de votos em 2022 para 9,55 milhões em 2026. O crescimento do saldo foi de 2,51 milhões de votos.

Nas 546 cidades em que a direita venceu todas as seis eleições presidenciais analisadas, a margem passou de 1,75 milhão para 2,32 milhões de votos, um aumento de 573 mil.

A combinação entre o avanço nos municípios conservadores, a redução das vantagens petistas e a virada nas cidades pêndulo ajuda a explicar a liderança numérica de Flávio Bolsonaro no primeiro turno de 2026.

Disputa pelo segundo turno passa por eleitores indecisos

A distribuição dos votos indica uma alteração no mapa político brasileiro em comparação com as eleições anteriores. A redução das margens de Lula em municípios de sua base, somada ao avanço da direita e às mudanças nas cidades pêndulo, contribuiu para o resultado nacional.

Para a campanha petista, um dos desafios será recuperar votos nos municípios em que Lula manteve vantagem e buscar eleitores nas localidades que passaram a favorecer Flávio Bolsonaro.

A disputa nesses municípios ganha importância porque eles apresentam histórico de alternância entre os campos políticos. A questão para o segundo turno será saber se os eleitores que mudaram de preferência em 2026 manterão a escolha ou poderão voltar a apoiar o PT.

O que são cidades pêndulo

Cidades pêndulo são municípios em que o resultado eleitoral costuma alternar entre candidatos ou grupos políticos diferentes ao longo das eleições. Em vez de manter uma preferência estável por um mesmo campo, essas localidades apresentam maior volatilidade na votação e podem favorecer um lado em uma eleição e o adversário em outra.

No levantamento de Fábio Vasconcellos, a classificação considera os resultados do segundo turno das seis eleições presidenciais realizadas entre 2002 e 2022. A metodologia cruza o número de vitórias do PT em cada município com a quantidade de alternâncias entre candidaturas petistas e representantes da centro-direita e da direita.

O estudo divide os municípios em grupos de hegemonia petista, predominância do PT com oscilações, predominância da direita com oscilações, hegemonia da direita e cidades pêndulo. Estas últimas são caracterizadas por duas a cinco mudanças de vencedor ao longo da série histórica e, por isso, funcionam como indicadores de mudanças na preferência eleitoral.

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