Minas Gerais, estado conhecido por acompanhar historicamente o vencedor das eleições presidenciais, apresentou uma mudança no comportamento de suas urnas em 2026. Depois de dar a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos dois turnos de 2022, o eleitorado mineiro colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente no primeiro turno realizado no último domingo (4).
Com 100% das urnas apuradas, Flávio recebeu 5.777.548 votos, equivalentes a 48,24% dos válidos. Lula somou 5.188.936 votos, ou 43,33%. A diferença foi de 588.612 votos, aproximadamente 4,91 pontos percentuais.
O resultado estadual acompanhou a ordem dos dois primeiros colocados no país, mas com uma distância maior entre eles. Nacionalmente, Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%, uma diferença de 1,87 ponto percentual.
O desempenho mineiro ganha relevância pelo histórico do estado. Desde a redemocratização, em 1989, Minas Gerais votou, no turno decisivo, no candidato que acabou eleito presidente da República.

O que mudou em relação a 2022
Há quatro anos, o cenário do primeiro turno era diferente. Lula liderou em Minas Gerais com 48,29% dos votos válidos, equivalentes a 5.802.571 votos. Jair Bolsonaro (PL), então presidente e candidato à reeleição, recebeu 43,60%, ou 5.239.264 votos.
Na comparação com 2026, Lula perdeu 4,96 pontos percentuais e 613.635 votos no estado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, obteve 4,64 pontos percentuais a mais do que seu pai havia registrado no primeiro turno de 2022.
A mudança também aparece na diferença entre os candidatos. Em 2022, Lula terminou a primeira etapa da eleição com vantagem de aproximadamente 563 mil votos sobre Jair Bolsonaro. Em 2026, Flávio encerrou a votação com quase 589 mil votos a mais que o petista.
No segundo turno de 2022, a disputa mineira foi ainda mais apertada. Lula venceu com 50,20% dos votos válidos, contra 49,80% de Jair Bolsonaro. A diferença ficou próxima de 50 mil votos.
Minas Gerais e o resultado nacional
A comparação com o Brasil mostra que Minas Gerais registrou uma vantagem proporcional maior para Flávio Bolsonaro do que a observada nacionalmente.
No país, o senador recebeu aproximadamente 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões de Lula. A diferença nacional ficou em cerca de 2,2 milhões de votos.
Enquanto Flávio conquistou 47,03% dos votos válidos brasileiros, seu percentual em Minas chegou a 48,24%. Lula apresentou movimento inverso: obteve 45,16% nacionalmente, mas ficou com 43,33% entre os eleitores mineiros.
O comportamento das urnas também foi diferente do observado em 2022, quando Lula terminou o primeiro turno nacional com 48,43%, contra 43,20% de Jair Bolsonaro.
Naquela eleição, o petista venceu a disputa presidencial no segundo turno com 50,90% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro alcançou 49,10%.

Abstenção cresce e outros candidatos somam votos
Além da votação dos dois principais concorrentes, o resultado mineiro mostra a participação de outros candidatos na disputa presidencial.
O escritor Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar no estado, com 3,42% dos votos válidos, seguido por Renan Santos (Missão), com 2,06%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 1,92%.
Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, recebeu 0,82% dos votos válidos no estado.
A abstenção também cresceu. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), 22,82% dos eleitores aptos deixaram de comparecer às urnas em 2026, diante de 22,29% no primeiro turno de 2022.
O índice de comparecimento foi de 77,18%, o que significa que pouco mais de três em cada quatro eleitores mineiros participaram da votação.
Com o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro, Minas Gerais voltará às urnas para escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro.







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